Arquivo FolhaO rebelde Ricardo Barros: dissidente do PFL e pressionado a votar pela reeeleição ou deixar o partido

Cerca de 100 prefeitos do Paraná acompanharam ontem, em Brasília, da votação da emenda pela reeleição. A delegação de prefeitos paranaenses foi a que viajou em maior número para participar do corpo-a-corpo junto a deputados, para evitar qualquer surpresa como a apresentação de um destaque que tirasse dos atuais detentores dos poderes municipais também o direito de se testar nas urnas nas próximas eleições.
No total, apenas 300 dos mais de 5.700 prefeitos de todo o País foram a Brasília defender a reeleição em todos os níveis. Eles se somaram a onze governadores que também reservaram o dia para acompanhar a votação em Brasília.
O governador Jaime Lerner, do Paraná, não acompanhou a movimentação, nem atuou junto a deputados paranaenses irredutíveis para mudar o voto, caso de Ricardo Barros (PFL) e Fernando Carli (PDT), que anteciparam que votariam contra a reeleição. O governador voltou a afirmar ontem que sempre considerou o plebiscito como forma mais democrática para se alterar as regras do jogo, mas disse não acreditar em tratamento diferenciado entre o presidente e governadores e prefeitos, por parte da Câmara dos Deputados.

Direção do PFL
paranaense tomou
puxão de orelhas
por causa de Barros


‘‘O Congresso tem sua responsabilidade neste momento. Todos sabem que qualquer situação que retire a equidade em relação ao todos os poderes - federal, estaduais e municipais -, retira a credibilidade’’, apontou Lerner, emendando que ‘‘todos estão atendos a isso’’ e que não acredita que qualquer votação diferente da espera, pudesse vir a ocorrer porque seria ‘‘oportunismo’’. O governador criticou o fato de o assunto reeleição ter ‘‘paralisado o País’’.
Lerner conversou a semana passada por telefone com o presidente Fernando Henrique Cardoso e, cobrado pelas posições de Barros e Carli, disse que não poderia fazer os dois mudarem de postura.
O presidente regional do PFL, José Carlos de Carvalho, foi convocado a Brasília pelo líder do partido na Câmara, Inocêncio de Oliveira. ‘‘O Ricardo Barros conseguiu irritar profundamente toda a cúpula do PFL’’, disse Carvalho, adiantando que Inocêncio de Oliveira defende a expulsão do deputado do Paraná do PFL. Barros é o único da bancada do PFL contra a reeleição e estaria mudando para o PPB de Paulo Maluf.

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