O prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro (PSB), depois de se reunir com prefeitos de outras cidades, ontem, divulgou uma nota conjunta de apoio à moratória decretada pelo governador mineiro Itamar Franco (PMDB). Na nota, eles cobram ‘‘a imediata renegociação’’ da dívida de Minas Gerais e dos municípios, que também estariam sendo ‘‘penalizados’’ no pagamento de suas dívidas pelos altos juros cobrados pelo mercado. Segundo os prefeitos, a política de juros, ‘‘a concentração de recursos no Caixa da União’’ e a Lei Kandir, que desonerou as exportações, estariam atingido também as prefeituras.
Entre os outros signatários da nota, estão o prefeito de Juiz de Fora, onde o governador Itamar Franco tem residência fixa, e os de Betim, Divinópolis e Governador Valadares.
LiçãoMas o governador do Pará, Almir Gabriel (PSDB), condenou a moratória decretada pelo governo de Minas Gerais. ‘‘Não é possível que o Estado de Minas tenha quebrado em menos de 15 dias’’, disse. Para o governador, Minas deveria fazer a lição de casa a exemplo de outros Estados, como São Paulo e Pará. ‘‘Itamar está querendo que os outros façam o dever de casa dele’’. Para Gabriel, a atitude de Minas é um ‘‘exagero’’. ‘‘Com esta atitude, o governador Itamar não está prejudicando só a imagem de Minas, mas de todo o Brasil’’, disse.
Gabriel lembrou ainda que a moratória irá prejudicar todos os outros Estados, principalmente os das regiões Norte e Nordeste. O governador concorda com a posição do governo federal. ‘‘Espero que o presidente faça cumprir a lei’’.
Quanto à situação do Pará, Gabriel disse que a dívida de R$ 274 milhões com a União já foi renegociada e está sendo paga normalmente. O Estado do Pará tem cumprido também as exigências da Lei Camata e gastando menos de 60% do orçamento em pagamento de pessoal. Para o próximo ano, Gabriel espera reduzir em, pelo menos, 10% os gastos de cerca de R$ 1 bilhão do Estado.
O governador Almir Gabriel (PSDB) anunciou ontem a formação do seu novo secretariado executivo, subordinado a sete secretarias especiais, criadas em 1º de janeiro. Ao contrário das expectativas, o governador não diminuiu o número de cargos, criando mais duas secretarias além das sete especiais. Mesmo assim, Gabriel acredita que conseguirá diminuir em 10% os gastos do governo estadual, que hoje gira em torno de R$ 1 bilhão por ano. ‘‘Não se trata de reduzir quadros, mas de remanejar e diminuir custos’’.
Gabriel diz que quer menos servidores trabalhando em áreas administrativas. Hoje, os funcionários que trabalham na gestão do Estado representam cerca de 25% dos 100 mil servidores públicos estaduais. (Colaborou Luís Indriunas).Arquivo FolhaGabriel, do Pará: ‘‘Itamar prejudica a imagem do Brasil’’Carlos Henrique Santiago
Agência Folha

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