Brasília - Em frente ao Congresso Nacional, o prefeito de Santo Antônio da Platina, Pedro Claro de Oliveira Neto, posa ao lado do prefeito de Jundiaí do Sul, Joel Marciano Rauber e da primeira-dama do município para a foto oficial. Toda vez que vem a Brasília participar da Marcha dos Prefeitos, Oliveira Neto tira a mesma foto, com o prédio ao fundo. É o que ele leva de recordação do movimento, já que tem sido difícil contabilizar no dia-a-dia os ganhos conquistados junto ao governo federal. Pouco depois, o grupo de prefeitos do Norte Pioneiro segue para uma reunião com a bancada paranaense. Na pauta, a reforma tributária. Poucos ali sabem, na prática, o que as conquistas já anunciadas pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) significam na ponta do lápis.
''Essa é mais uma marcha de agradecimento ao presidente Lula pelas mudanças que já conquistamos'', explica o presidente da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi), Jorge Domingos, prefeito de Jaboti. Mas o que a municipalização do Imposto Territorial Rural (ITR), anunciada por Lula na abertura da Marcha, significa para o orçamento da cidade? ''Ainda não sei. Não sou bom para guardar números'', justifica. Domingos administra uma cidade de cinco mil habitantes e um orçamento de R$ 5 milhões.
Isaac Tavares da Silva, prefeito de Carlópolis (13 mil habitantes e orçamento de R$ 17 milhões), também não sabe apontar qual será o ganho que terá com o imposto. Mas diz que os recursos que administra já estão esgotados. ''O Estado diz que não repassa o dinheiro do transporte escolar para os municípios porque somos maus gestores. No entanto, estamos bancando cem milhões, dos R$ 140 milhões do transporte escolar da rede estadual de ensino porque governo só nos repassa R$ 40 milhões'', reclama.
Quanto ao ITR, o prefeito de Santo Antônio da Platina já fez as contas. ''Hoje recebemos R$ 100 mil por ano, porque recebemos 50% do total arrecadado. Com a municipalização, podemos, no mínimo, dobrar a arrecadação. Mas, como hoje não há fiscalização, é possível que a receita chegue até a R$ 300, 500 mil'', adianta. ''Cerca de 15 a 20% disso vai para a Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), que faz a operacionalização da cobrança'', diz. Os municípios também vão ter que gastar com a contratação de pessoal para fazer a fiscalização. ''Nos municípios é assim mesmo. É a soma das quireras que acabam aliviando o orçamento'', diz Silva, de Carlópolis.

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