Prefeitos comemoram, mas com cuidado
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sexta-feira, 31 de janeiro de 1997
Mari Tortato Sucursal de Curitiba 
Os prefeitos, que acabaram de assumir, são, em tese, os maiores beneficiários da aprovação da emenda da reeleição para os atuais ocupantes de cargos executivos. Eles estão há apenas um mês no cargo e já passam a trabalhar com a perspectiva de 8 anos.
Mas não há euforia. Alguns prefeitos ouvidos pela Folha ontem são comedidos na comemoração. A maioria acha que com a perspectiva de reeleição aumenta a responsabilidade. É o caso do prefeito de São José dos Pinhais, Luiz Carlos Setim (PFL). Com possibilidade de julgamento popular, uma administração não poderá ser apenas boa, mas ótima, para que um prefeito não tenha a frustração de ver seu mandato rejeitado nas urnas, diz Setim.
Prefeito de um município que projeta expansão industrial em função da instalação das montadoras Renault e Audi, Setim lembra que terá de investir pesado em infra-estrutura social num período em que não haverá retorno fiscal algum por um longo tempo. As montadoras terão incentivos por dez anos e a influência no aumento da arrecadação de ICMS só é esperada para o ano 2001, diz. Setim começa a administrar com um orçamento estimado de R$ 43 milhões para este ano e uma dívida vencida de R$ 10,5 milhões.
Estou preocupado em dirigir a cidade nos próximos três anos, onze meses e um dia. A precisão oriental é do prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PDT), para descartar qualquer indício de que a mosca azul da vitória da reeleição já o tenha picado. Espero cumprir as promessas que fiz dentro dos quatro anos de mandato. Fui a favor do plebiscito, mas defendo que o eleitor tem o direito de julgar o prefeito, e o prefeito, de ser julgado.
Quem não tem ânimo, pique ou garra de pensar em nova campanha, desta vez para reeleição, é o prefeito de Campo Largo, Newton Puppi (PFL). No terceiro mandato de administrador da cidade, ele também passa a enfrentar o desafio de preparar o município para uma explosão industrial, com a instalação da fábrica da Chrysler em seu território.
Com 61 anos e auditor aposentado do Tribunal de Contas, Puppi defende que a reeleição é uma instituição que deveria ter sido adotada há 30 anos no Brasil e, apesar de indisposto a novas investidas administrativas, afirma que os que pensam em reeleição devem ter cabeça para saber que não precisam atropelar obras, endividar os municípios para realizar o máximo em quatro anos, atrás de mais quatro. A hora - segundo Puppi - é de planejar com calma, a começar por um plano diretor, que a população entenderá que precisa do prefeito para terminar o que começou.
Para um prefeito que vive o drama das enchentes, José Carlos dos Santos (PTB), de Adrianópolis, ainda não se desespera. O que aconteceu aqui é triste, trágico, mas um bom momento para nos testarmos, diz, admitindo que ele e seu grupo político colocam expectativa na reeleição.
Efeitos positivosO presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Luiz do Amaral, ex-prefeito de Assis Chateaubriand, disse ontem que 100 prefeitos paranaenses que foram a Brasília acompanhar a votação terão efeitos positivos sobre suas administrações, porque puderam ter contatos com vários ministros - e até foram recebidos por Fernando Henrique.
A idéia, segundo Amaral, foi do ex-prefeito de Campo Mourão Rubens Bueno (PSDB).


