Goiânia - Num ano eleitoral, o foco principal das pressões dos prefeitos é a ampliação dos investimentos públicos e a adoção de regras mais racionais para que os municípios tenham acesso ao crédito. Vários dos 21 prefeitos de capitais que desembarcaram ontem em Goiânia se queixaram da postura do governo federal que quer determinar onde os recursos da União devem ser aplicados. Como exemplo, ressaltam que os R$ 2,9 bilhões destinados aos projetos de saneamento só podem ser aplicados em água, esgoto e lixo, quando existem outras demandas nas cidades.
''Dos R$ 2,9 bilhões, só R$ 89 milhões podem ir para drenagem, para ser usado em caso de enchente'', comentou o prefeito petista de Belém, Edmilson Rodrigues. ''Se houver enchente em São Paulo, o dinheiro vai para uma pequena parte da cidade e o resto fica sem'', lamentou ele, que teve seu discurso endossado pelo prefeito de Vitória, o tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas.
''A União não tem o monopólio dos interesses brasileiros. Nós também sabemos defender os interesses do Brasil'', declarou Vellozo Lucas, ressaltando que ''não adianta o governo dizer onde quer que a gente gaste o dinheiro. Nós é que sabemos das necessidades dos municípios''.
Neste ponto, oposição e aliados do Planalto estão em sintonia. Lula fez questão de mostrar que deseja um tratamento amistoso com prefeitos de oposição, ao saltar do helicóptero na sede da Prefeitura de Goiânia, ao lado dos prefeitos pefelistas César Maia, do Rio de Janeiro, e Antonio Imbassahy, de Salvador. Marcelo Déda, prefeito de Aracaju, quer um compromisso político do governo para desburocratizar o acesso ao crédito.
Luiz Paulo Vellozo Lucas defendeu, por sua vez, o que chamou de ''melhoria da qualidade do ajuste fiscal''. ''Os municípios saudáveis, que têm acesso ao crédito, não podem ser submetidos a um controle burro, que só era necessário no início do processo de estabilização'', disse o prefeito.
O presidente disse ainda aos prefeitos das capitais que a proposta apresentada por eles de redução dos preços do óleo diesel para transporte coletivo nessas cidades não poderia ser atendida por causa da alta do preço do petróleo no mercado internacional. ''O presidente disse que esse era um momento difícil para discutir o assunto por causa da conjuntura internacional'', relatou o prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT), presidente da Frente Nacional de Prefeitos.
Ao fazer esta avaliação, o presidente reconheceu, segundo o prefeito, que a Petrobras terá dificuldades para atender este pleito porque ele vem na contramão do que acontece no mundo. A proposta apresentada pelos prefeitos é de redução de 50% nos preços do óleo diesel e, em contrapartida, a tarifa dos ônibus públicos seria reduzida em 10% nas capitais.
Dos 26 prefeitos de capitais, cinco faltaram à reunião de Lula na sede da Prefeitura de Goiânia, comandada pelo petista Pedro Wilson: Manaus, Boa Vista, Cuiabá, João Pessoa e Fortaleza.

mockup