Prefeitos cobram dinheiro do Fundef
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de abril de 2001
Liliana Lavoratti Agência Estado 
Prefeitos de pequenos e médios municípios chegam hoje a Brasília para cobrar do governo a liberação de R$ 5,7 bilhões que deixaram de ser repassados pela União aos Estados e prefeituras, entre 1998 e o ano passado, para complementar os recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef). O levantamento foi feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e será levado também ao Tribunal de Contas da União (TCU). A entidade espera reunir cerca de 1,5 mil prefeitos na capital federal até quinta-feira.
A despeito de vários prefeitos estarem sendo investigados por denúncias de desvios do dinheiro do Fundef, a CNM fará marchas a Brasília a cada dois meses para garantir a liberação dos recursos. Prefeito corrupto precisa ir para a cadeia, mas até agora foram comprovados apenas equívocos contábeis, disse o prefeito de Mariana Pimental (RS), Paulo Ziulkoski, presidente da CNM. Segundo ele, o maior desvio do Fundef está sendo causado pela decisão do governo de determinar por decreto os valores que serão complementados com verbas federais - neste ano, enquanto a média nacional é de R$ 555 por aluno, a União garante a suplementação até R$ 372.
A quarta marcha dos prefeitos ligados à CNM a Brasília também vai mostrar ao governo e Congresso que os municípios não podem continuar arcando com outras despesas que são atribuição da União e Estados. O transporte dos estudantes de segundo grau, por exemplo, que segundo a Lei de Diretrizes Básicas da Educação é tarefa dos Estados, está recaindo sobre as prefeituras na maior parte do País, segundo Ziulkoski.
Os prefeitos também vão continuar o lobby junto aos deputados e senadores para flexibilizar o artigo 35 da Lei Fiscal, pela qual a União não pode fazer novos socorros financeiros a Estados e municípios.


