Prefeitos anunciam cortes em investimentos
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quinta-feira, 29 de setembro de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Cornélio Procópio - As críticas ao governo federal e a garantia de corte nos gastos com infra-estrutura deram o tom ontem ao primeiro dia de palestras do 3º Encontro ''Programa de Estudos Avançados para Líderes Públicos''. O evento termina hoje em Cornélio Procópio, onde estão reunidos desde quarta-feira cerca de 580 pessoas entre prefeitos, vereadores e secretários de todo o Estado.
O encontro é promovido pelo Sebrae no Paraná, em parceria com a Associação de Municípios do Paraná (AMP) e as secretarias estaduais de Planejamento e Coordenação Geral e de Desenvolvimento Urbano (Sedu).
As queixas feitas pelas lideranças se voltaram à taxa de juros de 19,5% ao ano, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), mas sobretudo à queda de 37,5% no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Aqui, sobraram reclamações também por parte do ex-presidente do Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o economista Carlos Lessa, um dos conferencistas do dia.
Para o presidente da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop), o prefeito de Cornélio Procópio, Amin José Hannouche (PDT), as 19 cidades que a entidade representa têm enfrentado dificuldades para suprir a queda no repasse fato que, essa semana, gerou confusão em Brasília durante a visita de líderes de Executivo de todo o Brasil. ''Já existe atualmente um excesso de servidores de carreira que compromete pelo menos 50% da folha mensal dos municípios, sem contar os financiamentos de administrações passadas que muitos prefeitos tiveram de assumir'', explicou Hannouche, para completar: ''Com a redução de 37,5% sofrida no FPM o que foi um baque muito grande para nós , o jeito é reduzir investimentos para suprir o aumento de algumas demandas'', disse, referindo-se ao caso de Cornélio, ''onde o consumo de medicamentos pela rede pública, este ano, tem sido pelo menos três vezes maior que o registrado em 2004''.
Segundo o prefeito de Mato Rico (região central do Estado), Nilson Padilha (PMDB), o departamento de Viação e Obras do município de 4,5 mil habitantes será o primeiro a sentir os efeitos da medida adotada pelo governo federal. ''Já temos o terceiro pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Estado; não vemos outra saída para suprir a queda no FPM a não ser pelo corte de investimentos'', alertou. Padilha elogiou a iniciativa do Sebrae no sentido de oferecer planejamento estratégico de políticas públicas para enfrentar a adversidade e proporcionar desenvolvimento sustentável, já que, afirma, ''algumas iniciativas do governo têm sido lamentáveis''.
O prefeito de Paranavaí, Maurício Yamakawa (PDT), comentou que participa pela terceira vez desse tipo de encontro, para ele, um meio importante para troca de experiências entre os chefes de Executivo. ''Ainda mais em uma época difícil como essa que os prefeitos têm enfrentado'', considerou, citando como exemplo a terceira parcela do FPM que a cidade aguardava para este mês. ''Seria de aproximadamente R$ 170 mil, mas vieram apenas R$ 50 mil. O jeito é cortar investimento em infra-estrutura e apelar para empréstimos junto ao (programa) Paraná Urbano'', concluiu.


