O prefeito de Guaíra (158 km ao norte de Cascavel), Manoel Kuba (PP), e outros integrantes do alto escalão da administração municipal foram citados em ação civil pública por improbidade administrativa. Eles teriam enriquecido ilicitamente às custas de dinheiro desviado. As supostas irregularidades envolveriam fraudes nos processos de licitação ocorridos entre 1998 e 2000, durante o primeiro mandato do atual prefeito. A denúncia partiu do empresário Marcos Luiz Beffa, sócio da Construtora Beffa S.A., que participou das licitações.
''Eu tinha um acordo comercial com o prefeito e era obrigado a dar cobertura às outras empresas. Em troca, todo serviço de tapa-buraco de 1998 a 2000 era feito pela minha empresa. Só topei o esquema porque precisava trabalhar'', argumentou Beffa. Segundo ele, todas as licitações eram feitas com ''cartas marcadas''. ''Os agentes públicos responsáveis pela abertura, pelo julgamento e pelo recebimento da licitação combinavam com o licitante as propostas de preços que seriam levadas a julgamento pela comissão de licitação, o que redundava no direcionamento da licitação'', diz trecho da ação 146/04. Além dessa ação, há outra (116/04) também referente a possíveis fraudes em licitações.
As fraudes envolveriam diretamente os secretários de Esporte e Lazer, João Carlos Hartekoff, e de Infra-estrutura, Osvaldo Martins, que elaborariam as propostas. A vice-prefeita Maria Elci Venancio da Silva também é citada como conivente. Na ação 146/04, Beffa denuncia os secretários de terem forjado sua assinatura em dois processos licitatórios. ''Tinha papel timbrado da minha empresa com eles e a minha assinatura foi falsificada'', garantiu. Essas duas licitações foram ganhas pela empresa Brapato Artefatos de Cimento e Serviços LTDA, de José João Ferri.
Beffa salientou que resolveu fazer a denúncia porque a prefeitura não teria cumprido um acordo firmado. Ele descreveu que pelos serviços de tapa-buraco teria recebido R$ 226 por metro cúbico, mas que parte do valor (R$ 126) era devolvida para o prefeito e secretários. ''Eu ficava com o dinheiro da mão-de-obra e executava o serviço. O material era fornecido pela própria prefeitura'', apontou. Em contrapartida, a empresa seria isenta do imposto no serviço de tapa-buraco. ''No fim de 2000, eu fiquei com R$ 64 mil de encargo. Depois de muita pressão, eles me contrataram como coordenador de programas de desenvolvimento. Vi muita coisa errada até novembro de 2003, quando resolvi pedir demissão'', detalhou.
Pelos dois processos licitatórios citados na ação 146/04, o prejuízo do município com os desvios chegaria a R$ 98.598. Na ação 116/04, esse valor atingiria R$ 146.731. Nas ações, impetradas pelo promotor Gustavo Henrique Rocha Macedo, são solicitados a perda da função pública dos envolvidos, ressarcimento integral do dano, entre outros.

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