Prefeito teria ocultado documentos, diz MP
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quinta-feira, 28 de junho de 2007
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - As investigações do Ministério Público (MP) estadual sobre suposto desvio de dinheiro público em Itaperuçu (Região Metropolitana de Curitiba), apontam indícios da participação do prefeito José de Castro França (PPS) no desaparecimento de documentos oficiais, que poderiam incriminá-lo. Ele teria se aproveitado da depredação do prédio da prefeitura, em 1º de dezembro de 2006, para sumir com a documentação. O vice-prefeito Osmário Bonfim assumiu ontem a chefia do Executivo municipal.
França foi preso anteontem, por suspeitas de fraudes em licitações para compra de veículos e contratação de mão-de-obra. Os contratos somam R$ 520 mil. O valor supostamente desviado, no entanto, pode ser maior, uma vez que existe a suspeita de que documentos que comprovariam as fraudes teriam sido suprimidos.
A suspeita foi levantada pelo promotor do Setor de Crimes Praticados por Prefeitos - órgão do MP vinculado ao gabinete do procurador-geral de Justiça -, Samir Barouk, que conduziu as investigações em Itaperuçu. ''Nós sabemos que ele colocou a culpa nos populares pelo desaparecimento de documentos, mas descobrimos que foi ele quem ocultou alguns papéis que estavam na prefeitura depois da depredação'', afirmou Barouk em nota divulgada pela Agência Estadual de Notícias.
Ainda segundo a nota, Barouk lembrou que, no final de 2006, França conseguiu uma liminar para continuar no cargo, pois seus mandato já havia sido cassado por irregularidades pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). ''Três dias depois da depredação, uma segunda-feira, a liminar que o mantinha na prefeitura seria julgada. Poderia ser o último dia de França na prefeitura. A ocultação dos documentos aconteceu para dificultar as investigações.''
O delegado Kleudson Moreira Tavares, que preside o inquérito sobre a depredação do prédio da prefeitura, informou, por meio da assessoria de imprensa, que 40 pessoas teriam participado do vandalismo e já prestaram depoimento. Disse estar impedido de dar detalhes sobre o caso que, segundo ele, está sob segredo de Justiça.
Além de França, foram presos o diretor financeiro do município, Adnilson José Castro França, filho do prefeito; a ex-diretora financeira, Cláudia Mara Pedroso Moraes França, esposa de Adnilson; e a servidora Marla Janice Redel.


