O prefeito de Roncador (100 km ao sul de Campo Mourão), Odilon Andreoli Gonçalves (PSDB), pode ter que devolver R$ 142,1 mil aos cofres públicos devido a irregularidades com um repasse que recebeu da Fundepar, em dezembro de 1997. Na época, a prefeitura recebeu R$ 100 mil para manutenção dos veículos que executam o transporte escolar. A determinação para a devolução do dinheiro foi dada pelo Tribunal de Contas do Estado (TC), mas o prefeito já recorreu.
Ao analisar a prestação de contas do convênio, o TC encontrou uma série de irregularidades. O órgão chegou a sugerir a realização de uma auditoria no município para verificar toda a escrituração contábil dos recursos liberados e ‘‘determinar a extensão dos prejuízos causados ao erário’’. Entre outras coisas, o TC apontou ausência de licitação para a totalidade das despesas e débitos em extratos bancários que não correspondem às despesas.
Os R$ 100 mil recebidos pela prefeitura se transformaram em R$ 142,14 mil depois que o Tribunal de Contas atualizou e aplicou juros de 1% ao mês desde a liberação dos recursos. O TC também mandou cópias do processo para o Ministério Público, que já está apurando o caso. O assessor jurídico da prefeitura de Roncador, Francisco Gonçalves Andreoli, que é irmão do prefeito, disse à Folha que já entrou com recurso pedindo a nulidade da decisão.
‘‘Não houve lesão ao erário público’’, diz o advogado. Segundo ele, a prefeitura estranhou que a decisão do TC tenha sido tomado sem a realização da auditoria sugerida pelo próprio órgão. Francisco diz que a prefeitura errou apenas ao depositar o dinheiro do convênio na conta corrente normal do município e não numa conta específica. ‘‘Mas não houve má-f钒, ressalta. ‘‘O prefeito só depositou o dinheiro para não ficar com o cheque nas mãos.’’
De acordo com o assessor jurírico, a prefeitura não abriu licitação porque fez várias compras com valores inferiores a R$ 8 mil, o que dispensa o processo licitatório. Ele ressalta também que quando o dinheiro chegou, a prefeitura já tinha várias despesas realizadas com o transporte escolar e que os recursos foram usados para pagá-las. ‘‘Para quem banca o transporte escolar, R$ 100 mil não é nada’’, frisa.

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