Às vésperas da sessão que pode resultar na cassação de seu mandato, o prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), recorreu à Justiça para tentar anular a Comissão Processante (CP) da Centronic. O advogado Rodrigo Alexandre de Castro, de Curitiba, impetrou mandado de segurança contra a Câmara Municipal e todos os vereadores alegando que houve cerceamento de defesa; imparcialidade na votação da abertura da CP, já que votaram vereadores que seriam inimigos declarados de Barbosa; e suposta irregularidade na composição da comissão.
  Em 25 páginas, que estão sob análise do juiz substituto Mário Nini Azolini, a defesa do prefeito pede liminar, ‘‘considerando que o impetrante está na iminência de ter seu mandato cassado com base em procedimentos absolutamente irregulares e nulos’’. Sobre o alegado cerceamento de defesa, o advogado afirma que a CP trabalhou ‘‘às portas fechadas’’, não permitiu que o prefeito acompanhasse o processo e a produção de provas e que teve prazo reduzido para apresentar sua defesa.
  O procurador da Câmara, Miguel Ângelo Garcia, rechaçou a tese, afirmando que regimentalmente o plenário poderia ter apreciado a denúncia sem defesa prévia. ‘‘Mas adotamos um rito que prevê para a defesa o mesmo prazo que a Procuradoria tinha para analisar a denúncia.’’ Barbosa entregou defesa com três laudas.
  O advogado também alega que a participação dos vereadores Joel Garcia (PP) e Amauri Cardoso (PSDB) na votação da abertura da CP teria tornado a decisão parcial e, portanto, nula. O primeiro é inimigo declarado de Barbosa, sustenta a defesa, e Cardoso ‘‘acusa o prefeito de ser responsáel por lhe oferecer propina através dos interlocutores Marco Cito (ex-secretário de Governo) e Ludovico Bonato (empresário e amigo de Barbosa), para que votasse contra a abertura da Comissão Processante’’.
  O advogado se refere à prisão dos dois aliados do prefeito, em 24 de abril, quando foram flagrados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) entregando R$ 20 mil a Cardoso, parte de um suposto suborno de R$ 40 mil. Foi o tucano quem denunciou os fatos ao Gaeco e possibilitou o flagrante. Uma semana depois, outros três aliados do prefeito foram presos. ‘‘Sendo inimigos declarados, os vereadores votariam a favor da admissão da denúncia’’, conclui o advogado. Porém, logo após a prisão de seus aliados, o prefeito ‘‘liberou’’ toda a base para votar a favor da abertura da CP.
  O procurador da Câmara lembrou que o impedimento de Cardoso e Joel já havia sido pleiteado pelo prefeito em mandado de segurança, mas foi negado pela 1ªVara da Fazenda Pública em abril. ‘‘É uma questão superada’’, resumiu Garcia.
  O terceiro argumento da defesa de Barbosa se refere ao fato de Roberto Kanashiro (PSDB) ter presidido a CEI da Centronic e, posteriormente, a CP. Para o advogado Rodrigo Castro, ‘‘há suspeição e notória parcialidade’’. Ele cita decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que anulou CP composta por membro da CEI.
  No entanto, para Miguel Garcia, prevale nos tribunais a tese de que não há impedimento. ‘‘Quando o vereador é escolhido por sorteio, como foi o caso em Londrina, não gera impedimento’’, afirmou. ‘‘O Tribunal de Justiça do Paraná, ao julgar agravo do prefeito de Carambeí com o mesmo argumento, entendeu não haver impedimento.’’ A reportagem deixou recado ao advogado Rodrigo de Castro, mas ele não retornou ao pedido de entrevista.
  Alguns representantes do movimento popular contra a corrupção ‘‘Por Amor a Londrina’’ aproveitaram a entrega do relatório final da CP para protestar em frente ao Fórum Eleitoral e em frente à prefeitura pelo ‘‘fim da corrupção’’. A faixa que eles carregavam lembrava o abaixo-assinado, entregue na última sessão da Câmara antes do recesso parlamentar, que apoiava a CP e as investigações do Gaeco.

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