A Prefeitura de Nova Cantu (120 km ao sul de Campo Mourão) não vai pagar mais os salários dos quatro funcionários da delegacia de polícia. A decisão foi tomada pelo prefeito reeleito Airton Antônio Agnolin (PDT) com base na nova Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O corte inclui o delegado, Valdir Demari, 46, que está há dois anos na função. Além dele, a prefeitura pagava um escrivão, um carcereiro e uma zeladora.
Demari disse ontem que continua trabalhando, mas não sabe se vai receber este mês. ‘‘O prefeito ficou de ver se o pagamento não pode ser feito pelo governo do Estado’’, frisou o delegado. Com a indefinição, o escrivão só vai à delegacia quando é chamado. ‘‘Quando aparece alguma ocorrência, a gente vai buscar o escrivão em casa’’, explica Demari. O carcereiro e a zeladora, que são casados, moram nos fundos da delegacia.
Nova Cantu tem 9 mil habitantes. De acordo com Demari, a polícia registra, em média, duas ocorrências por dia. ‘‘A maioria é briga de casal, briga de vizinhos e briga de boteco’’, diz o delegado. Ontem não havia nenhum preso na cadeia, com capacidade para oito pessoas. Antes de ser delegado, Demari era caixa do Banestado. A agência do banco fechou, mas ele resolveu ficar porque tem um sítio no município.
O prefeito Airton Agnolin não estava em Nova Cantu ontem. A prefeitura estava fechada. A vice-prefeita, Elza Rodrigues de Oliveira (PFL), confirmou a suspensão do pagamento dos funcionários da delegacia, mas disse que não tinha informações detalhadas sobre o assunto. O delegado-chefe da 16ª Subdivisão Policial em Campo Mourão, Roberval Butaccini, disse que a cidade não ficará desprotegida. ‘‘O delegado de Ubiratã fica responsável pela área’’, ressaltou.
O chefe da Divisão de Polícia do Interior, Luís Fernando Artigas, afirmou ontem à Folha, por telefone, que com a LRF, as prefeituras precisam assinar um convênio com a Secretaria de Estado da Segurança Pública para poder justificar ao Tribunal de Contas as despesas com os funcionários das delegacias de polícia.
Mesmo com o convênio, no entanto, o pagamento dos funcionários continua sendo feito pelas prefeituras. Artigas disse que existe a possibilidade do pagamento ser feito pelo Estado, mas ele não acha que essa seja a solução ideal para o caso. ‘‘Como não temos como atender todos os municípios do Estado, as delegacias só atenderiam duas ou três vezes por semana’’, explicou. Outra alternativa, segundo ele, seria a colocação de apenas um investigador em cada delegacia.
De acordo com Artigas, existem várias delegacias no Estado mantidas com a ajuda das prefeituras. Para ele, municípios do porte de Nova Cantu têm uma ‘‘criminalidade diferenciada’’ e precisam mais de um mediador do que de um delegado de carreira. ‘‘Os casos mais sérios podem ser encaminhados para Ubirat㒒, explicou.

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