Curitiba - O Partido da Frente Liberal (PFL) deve decidir no início de 2004 quais providências serão tomadas em relação ao prefeito de Bocaiúva do Sul, Élcio Berti (PFL). Há cerca de um mês, Berti baixou um decreto proibindo homossexuais de morarem na cidade. A atitude revoltou o Grupo Dignidade, defensor os direitos dos homossexuais, que pediu a expulsão de Berti do PFL, alegando que ele feriu o código de conduta da legenda.
O caso está na Comissão de Ética do diretório estadual do partido. O prefeito, que está em seu segundo mandato, será ouvido pelos pefelistas e depois será decidida a punição, que pode variar de advertência até expulsão. Segundo o presidente do PFL no Paraná, deputado federal Abelardo Lupion, o decreto assinado por Berti não reflete o posicionamento do partido.
No início deste mês houve uma passeata gay no município, como protesto contra a decisão de Berti. O prefeito alega que baixou o decreto porque a presença de homossexuais vai contra a instituição do casamento e ofende famílias.
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso, por crime de abuso de autoridade e por ferir a Constituição Federal, pois a decisão do prefeito de Bocaiúva do Sul desrespeitaria o direito de ir e vir dos cidadãos.
O prefeito de Bocaiúva do Sul está na mira também da Procuradoria Geral da República. O Conselho Nacional de Combate à Discriminação, ligado ao Ministério da Justiça, pediu investigação do caso.
Essa não foi a primeira vez que Berti causou polêmica. Ele já propôs a construção de um ovniporto e defendeu o aumento da população para garantiria mais verbas do Fundo de Participação dos Minucípios (FPM). Esse fundo é repassado pela Secretaria do Tesouro Nacional, e calculado com base no número de habitantes.

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