Prefeito rejeita manobra para municipalizar água
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segunda-feira, 04 de março de 2002
Gilmar Agassi<br>Equipe da Folha 
Cascavel - O vereador Júlio César Leme da Silva (PMDB) quer municipalizar o serviço de abastecimento e fornecimento de água em Cascavel. Na semana passada ele encaminhou o projeto de lei à Câmara de Vereadores. A iniciativa desagradou ao prefeito de Cascavel, Edgar Bueno (PDT), que descartou qualquer manobra dos vereadores para limitar a negociação no serviço abastecimento de água e saneamento no município. O contrato entre a prefeitura e a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) expira em junho, e o prefeito pretende negociar com a empresa antes de tomar qualquer posição sobre o assunto.
Neste momento, aprovar um projeto desses representaria um prejuízo de cerca de R$ 30 milhões. Temos que trabalhar com três oportunidades para fazer o melhor negócio para o município, privatizar, terceirizar ou renovar o contrato com a Sanepar, ressalta Bueno.
O prefeito não descarta totalmente a municipalização dos serviços, mas aponta dificuldades para a proposta que os vereadores podem transformar em lei. É preciso estudar todas as alternativas. Hoje, municipalizar representaria dizer que o município precisaria ter recursos para ampliar a rede de esgoto que só serve 45% da cidade. Além disso, teríamos que indenizar a Sanepar, que avalia em R$ 60 milhões seu patrimônio, comenta. Bueno completa que o município é que precisa ganhar com a melhor proposta para a concessão do saneamento básico.
O vereador Júlio da Silva nega as acusações de manobra. O que estamos fazendo é colocando em prática uma atribuição que é dos vereadores, que precisam exercer sua função de participar. Não foi só o prefeito que foi eleito, os vereadores também. Os dois poderes estão a serviço da população, frisa.
Silva afirma que já iniciou a coleta de assinaturas para que o projeto tramite subscrito pela maioria dos vereadores. Ele defende a necessidade de se buscar a melhor opção para a discussão em torno da concessão do serviço de distribuição da água. A diferença é enorme entre os municípios que optaram pela estadualização ou privatização, dos que adotaram o regime municipal. Estas últimas apresentam eficiência e preços baixos, garante.


