Nova Tebas A Justiça de Manoel Ribas (146 km ao sul de Apucarana) determinou a cassação do prefeito e do vice-prefeito de Nova Tebas (90 km a sudeste de Campo Mourão), respectivamente Nilo Klhen (PMDB) e João Altair Alberti (PP). Na sentença assinada pelo juiz Marcelo de Resende Castanho, a dupla foi condenada por compra de votos e abuso de poder político e econômico nas eleições municipais de outubro passado. A decisão atendeu a representação eleitoral com ação de investigação eleitoral ingressada em novembro pelos segundos colocados no pleito, Djalma Ferreira de Aguiar (PT) e Ocalil Vieira (PSDB), empossados ontem como novos chefe e vice do Executivo.
A sentença é datada da última terça-feira. Segundo o juiz, o processo ''farto de provas'' comprovaria a compra de votos e o abuso de poder pela apreensão de notas fiscais de materiais para construção doados a eleitores. Segundo Castanho, a recomendação às pessoas favorecidas era a de que elas fizessem o orçamento em uma loja da cidade, que a Prefeitura bancaria a compra depois. ''Determinamos a busca dessa documentação fiscal tanto no prédio do Executivo quanto no estabelecimento, e boa parte dela comprovava a formação desse crime eleitoral'', informou o juiz, conforme o qual as ''dezenas de notas'' variavam de R$ 200 a R$ 1 mil. ''E a fatura o povo é quem pagava'', completou.
O diploma do prefeito e do vice já haviam sido cassados, em maio, por crime semelhante pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Na sentença é solicitado também o pagamento de multa de 50 mil Ufirs, mas não a devolução do que teria sido subtraído dos cofres públicos. ''Isso deve ser objeto de outras ações em tramitação ou a serem ingressadas'', comentou Castanho.
O advogado do prefeito cassado, Adolfo Góis, declarou que está preparando medida cautelar a ser ingressada no TRE para suspender a sentença. A respeito da cassação determinada pelo Tribunal em Curitiba, Góis explicou que a defesa aguarda o julgamento do recurso interposto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). ''A decisão de Manoel Ribas é absurda e ridícula. Quer dizer que o prefeito tem dois diplomas para serem cassados?'', ironizou. Em seguida, o advogado negou as acusações contra o cliente e citou as ações de suspeição ingressadas por ele contra o juiz desde o ano passado. ''Fizeram isso três vezes, em atitudes meramente protelatórias'', devolveu Castanho.
O advogado do ex-prefeito, Eduardo Franco, também negou que Alberti tenha praticado crime eleitoral e, da mesma forma, anunciou a interposição de recursos no TSE e no TRE.
Klhen foi reeleito em outubro de 2004 com uma margem apertada sobre o vice colocado e agora prefeito: 46,6% contra 45,84%, com uma diferença de apenas 38 votos.

mockup