Prefeito reclama de 'traição' e abre sindicância
Comerciante em Joaquim Távora e em seu primeiro mandato como prefeito - já foi vereador por quatro anos -, Wiliam Walter Ovçar (PSL) salientou que há 20 dias determinou a abertura de uma sindicância para apurar se houve irregularidades na compra de medicamentos pela Prefeitura. O chefe do Executivo municipal reclamou da forma como soube da denúncia, negando ter sido avisado sobre o assunto pelo ex-secretário de Saúde, Carlos Henrique Castanheira.
''Nunca soube por ele (Castanheira), sempre por terceiros - e no momento em que soube, no dia 2 de junho passado, tomei as providências que achava certo tomar'', afirmou, referindo-se à dissolução da equipe de quatro funcionários até então responsável pelas licitações e ao decreto que cancelou os dois editais de março citados na denúncia à Promotoria de Justiça.
Conforme o prefeito, o grupo responsável pelas licitações foi desfeito por questões de segurança. ''Acho que era a providência a ser tomada naquele momento, é uma segurança. E como houve essa denúncia, vamos apurar os fatos e analisar os culpados eles vão sofrer as consequências mais enérgicas que existir nessa área'', garantiu.
Questionado sobre a segurança em manter na Tesouraria da Prefeitura membros da antiga comissão de licitação - fato levantado pela CPI e pelo denunciante o prefeito se esquivou: ''A gente não pode tomar nenhuma atitude premeditada, pois só a sindicância (a ser finalizada em pelo menos mais 20 dias, diz) dirá o que deve ser feito''.
E foi justamente a ciência de possíveis irregularidades via terceiros que parece ter originado, nas palavras de Ovçar, a exoneração do secretário de Saúde, segunda-feira passada. Ele disse ter sido alertado ''por um deputado federal da região'' que havia denúncias ''bem documentadas'' contra a Prefeitura. ''Fiquei chocado, não esperava isso, mas faria um esforço para manter o grupo que assumiu comigo a administração'', afirmou. ''Me senti traído, pois essa documentação de que falam até hoje não vi nada''.
Sobre as razões que possam explicar a disparidade por vezes exorbitante de preços de remédios comprados para o Posto Municipal e para a Santa Casa de Joaquim Távora, expostas na denúncia ao MP, Ovçar explicou: ''Assumi ano passado, mantive as mesmas pessoas que faziam essas compras pela administração passada, portanto, continuaram fazendo as compras do mesmo jeito''. E esses funcionários não prestavam contas ao prefeito? ''Esse comparativo tinha que ser feito quando assumimos, e não esperar um ano. Coloquei o secretário lá para ele pensar, então a responsabilidade era dele. Ele tinha autonomia para administrar a farmácia do Município, portanto, tinha a obrigação de acompanhar esses procedimentos todos.''
Outro procedimento adotado pela Prefeitura, desde a divulgação do fato, é a determinação para que cada setor faça um orçamento prévio de artigos que precisem ser licitados e o encaminhe à comissão de licitação. (J.G.)





