O prefeito Nedson Micheleti (PT) afirmou ontem através de nota oficial ''que não teme a investigação e que não vai aceitar qualquer tentativa de vincular a sua campanha de reeleição com os fatos que envolvem o PT Nacional''. ''Tudo que foi feito na nossa campanha está legalizado e declarado à Justiça Eleitoral. Como em campanhas anteriores, em 2004 também não realizamos comícios, uma das atividades mais caras em qualquer eleição. Volto a reafirmar que todos os gastos foram contabilizados e declarados oficialmente'', resumiu.
O tesoureiro do diretório municipal do PT e diretor de Marketing da Sercomtel, Francisco Moreno, refutou a denúncia de caixa 2 e afirmou à Folha que um dia antes de fazer a denúncia Soraia teria pedido um emprego na Sercomtel. ''Ela trabalhou com a gente na campanha, ajudava no comitê, tinha várias funções, fazia pagamentos também. Não sei quais os motivos que a levaram a fazer isso, não sei se porque ela não foi contemplada com nenhum cargo. Anteontem ela me pediu um cargo na Sercomtel'', afirmou. ''Ela não me ameaçou, estava reivindicando algum trabalho. Como estava desempregada, ela vinha conversando comigo eventualmente'', complementou. ''Tratei isso com muita tranquilidade, apesar do constrangimento à minha família, mas se há uma denúncia tem que ser apurada.''
O presidente do PT, Jacks Dias, considerou ''absurda'' a denúncia de Soraia. ''Eu acho um absurdo pelas dificuldades que passamos pela campanha. O volume da campanha não condiz com o volume que ela está dizendo. Optamos, por exemplo, por não fazer comícios'', justificou.
Dias ainda negou a afirmação da ex-assessora de que a campanha teria recebido uma doação de cerca de R$ 1 milhão de um grupo supermercadista e camisetas da DNA Propaganda. ''A doação do mercado eu creio que não houve, mas a da DNA não, isso não, Deus nos livre. As camisetas vieram do PT nacional e foram declaradas'', argumentou.
''As contas da campanha foram todas prestadas e estão todas regulares e registradas na Justiça Eleitoral'', declarou o diretor administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Augusto Ermétio Dias Júnior. Para Dias Júnior, caberá ao partido a decisão de processar ou não a ex-assessora. ''Quem vai ter que ver é o partido mas é bastante provável.'' (C.O.)

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