Prefeito quer evitar o bloqueio de bens
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2002
Rodrigo Sais 
Curitiba - O prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), pretende recorrer da decisão judicial que o obriga a indicar bens no valor de R$ 45 mil para serem bloqueados pela Justiça. A sentença, concedida em caráter liminar pela juíza Josely Dietrich Ribas, da 3ª Vara da Fazenda de Curitiba, refere-se à contratação do dentista Mário Capriglione para coordenar o programa de saúde Cárie Zero por R$ 60 mil anuais.
No entender da juíza, que acatou denúncia do Ministério Público (MP) estadual, a contratação de Capriglione foi irregular, por não ter sido realizada uma licitação para a escolha de um especialista em saúde bucal. Além de Cassio, os ex-secretários municipais João Carlos Baracho e José Alberto Reimann, além do próprio Capriglione também foram condenados a indicar bens a serem bloqueados judicialmente.
Segundo o advogado de Cassio, o ex-secretário estadual de Fazenda Giovani Gionédis, não houve irregularidade na contratação de Capriglione. Ele era o autor do projeto Cárie Zero. A prefeitura não podia designar outra pessoa para coordenar o projeto, uma vez que o Cárie Zero era de propriedade intelectual dele, argumenta.
Gionédis afirmou que pretende entrar com um agravo de instrumento até amanhã para suspender os efeitos da liminar que bloqueariam os bens do prefeito. A denúncia tem um cunho político. O Ministério Público está sistematicamente contestando ações da prefeitura, o que nos leva a crer que existe um processo político por trás das ações, afirmou o advogado.
Caixa 2 O MP também investiga Cassio para apurar irregularidades na campanha à reeleição do prefeito no ano passado. Em um depoimento na terça-feira, o empresário Ronaldo Tocafundo confirmou ter vendido camisetas para a campanha de Cassio no valor de R$ 59 mil, que não foram declarados pelo comitê do PFL à Justiça Eleitoral.
Tocafundo negou, entretanto, que fosse sua a voz em uma fita apresentada durante o depoimento do empresário. A gravação foi obtida junto ao jornal Folha de S. Paulo, que no dia 6 de novembro publicou uma matéria acusando o comitê do PFL de ter sonegado R$ 29,8 milhões na sua prestação de contas oficiais. Segundo o advogado de Tocafundo, Rodrigo Sanchez Rios, o jornalista responsável pela denúncia, Fernando Rodrigues, deve ser processado.
Rodrigues afirma que a gravação, feita por telefone, foi autorizada por uma pessoa que teria se identificado como Tocafundo. Foi a secretária quem passou a ligação, defende-se.


