Prefeito quer evitar déficit de R$ 5 milhões
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sexta-feira, 07 de outubro de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Austeridade financeira, contenção de despesas, suspensão do reajuste aos servidores municipais e paralisação de projetos com custeio próprio não devem impedir que a prefeitura de Londrina encerre 2005 com um déficit de até R$ 5 milhões no orçamento. A previsão é do próprio prefeito Nedson Micheleti (PT) que, ontem de manhã, convocou o secretariado para uma reunião na Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), quando determinou que os representantes das pastas mantenham o controle de gastos nos últimos três meses do ano, tentando, desta forma, fechar as contas do exercício com equilíbrio.
Na reunião o prefeito destacou mais uma vez o equilíbrio entre receitas e despesas, segundo avaliação do próprio Executivo. ''Passamos por 2005 com equilíbrio, mas nos limites de nossas contas. O ano foi difícil, principalmente por causa da redução de receita'', explicou. A previsão inicial, de aumento de 10% na arrecadação, de acordo com Nedson, não se confirmou.
O reforço nos pedidos para que os secretários mantenham a austeridade financeira até o final do ano, segundo o prefeito, explicam-se pelo fato de que esta foi a forma mais eficiente encontrada pela administração para não provocar rombos no orçamento. ''Tínhamos uma previsão de déficit de mais de R$ 20 milhões, e este número caiu para R$ 5 milhões. Temos que manter esta política'', justificou.
A queda na previsão de déficit, ainda segundo o prefeito, deu-se graças à redução de custeios para projetos próprios e à negativa de conceder reajuste aos servidores municipais, mesmo que na última prestação de contas realizada pela prefeitura, há uma semana, a Controladoria Geral do Município tenha divulgado um superávit de R$ 6 milhões. ''Isso foi graças ao pagamento à vista do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) feito, na maior parte, no começo do ano. Mas os próprios servidores sabem que não podemos gastar tudo de uma vez. Essa verba tem que ser diluída nos gastos ao longo de todo o ano'', afirmou. Até o final de 2005, a prefeitura deve receber em IPTU o equivalente a 27% do total a ser arrecadado na cidade, o equivalente a pouco mais de R$ 10 milhões, dinheiro que, segundo o prefeito, já estaria comprometido com o pagamento de fornecedores.
Os secretários também ouviram do prefeito a recomendação para que agilizem projetos que contem com apoio financeiro dos governos estadual e federal. A recuperação de fundos de vale e o asfaltamento de ruas terão prioridade em 2006, desde que a Prefeitura só gaste com a contrapartida. O reajuste e o cumprimento integral do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) dos servidores foram totalmente descartados. ''É impossível e eles sabem disso tanto quanto eu. Quanto ao PCCS, vamos reiniciar uma discussão para rever as promoções por merecimento e conhecimento, que não podem acontecer no mesmo ano. A promoção por conhecimento também só pode acontecer se a especialização de um servidor estiver relacionada com a área em que ele trabalha, e até lamento que eles estejam pensando em promover novas paralisações. Greve não faz aparecer dinheiro no caixa'', justificou.
De acordo com informações do Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (Sindserv), os funcionários públicos já aguardam, desde agosto, uma das promoções. A outra aconteceria em novembro. ''Até agora, nada nos foi proposto para renegociar a questão das promoções'', afirmou o presidente do Sindicato, Marcelo Urbaneja, que mostrou resistência em admitir tal possibilidade. ''O PCCS foi criado e assinado por ele. E qualquer qualificação de um servidor é salutar para o serviço público. Reforçamos a intenção de promover paralisações a partir do dia 20 de outrubro, mas não com o objetivo de forçar o aparecimento de dinheiro em caixa, mas sim para que apareça vergonha na cara da administração, que deve honrar com os compromissos'', concluiu.


