Prefeito quer acabar com o Fundo de Previdência
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segunda-feira, 13 de outubro de 1997
Curitiba 
A Câmara Municipal da Lapa (município localizado a cerca de 65 km de Curitiba) reúne-se hoje, a partir das 19 horas, para discutir a mensagem do prefeito Miguel Horning Batista (PPB) que propõe a extinção do Funprev (Fundo de Previdência), responsável pelo pagamento das aposentadorias no município. O Sismul (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais) acusa Batista de maquiar o projeto e de tentar facilitar - com a disponibilidade dos cerca de R$ 2 milhões do Fundo - operação de compra e venda de uma propriedade da sogra, Maria de Lourdes Cordeiro Magalhães. A área é para a instalação da empresa canadense Casablanca Forest, do setor madeireiro.
O prefeito admite que a propriedade pertence a parentes de sua mulher. Mas nega que o projeto seja para facilitar a aquisição do imóvel, que, de acordo com o sindicato, seria vendido a R$ 20 mil o alqueire, quando a média de valorização dos terrenos na região não passa de R$ 7 mil o alqueire. Estou extinguindo o Fundo, porque as administrações anteriores nunca recolheram. Tenho uma dívida de R$ 900 mil e quero por fim nela. Quem pagará as aposentadorias dos inativos serão os cofres públicos, promete. Batista diz que a tentativa de quitar legalmente o débito não trará prejuízo aos servidores municipais. Eles estão amparados pelos cofres, afirma.
Para o prefeito, o sindicato está respaldado pelos vereadores de oposição na Câmara para acusá-lo. O PT (leia-se vereador Benedito Roberto Pinto) está tentando me derrubar. Dizem que estou interessado na venda do imóvel dos meus parentes, mas isso não é verdade. A Casablanca Forest já avisou que só fica na Lapa se comprar aquela propriedade. Eles é que escolheram por ser uma área bem situada e com as melhores condições de infra-estrutura. Eu desafio a oposição a encontrar outra área melhor, assinala.
O porta-voz da empresa canadense, diretor florestal Adriano Zaiatz, diz que três critérios estão sendo levados em conta para a compra do imóvel, que está ainda em processo de negociação: localização rodoviária, localização férrea e terraplenagem. A área pode ser até de parentes do prefeito, mas é a melhor porque é que evita mais custos. Eu já disse que em cidade pequena todo mundo é parente de todo mundo. É ali ou então mudaremos para outro município, condiciona o diretor. Ele diz não saber da cotação do imóvel por alqueire e que a empresa está preocupada com os US$ 18 milhões já investidos. Segundo ele, a comissão especial designada pelo prefeito para adquirir a área é responsável pelo preço a ser pago.
Pedro Cordeiro Mendes, integrante da comissão especial, disse à Folha ontem que as acusações da oposição de que há superfaturamento na venda do imóvel da sogra do prefeito da Lapa são prematuras. Estamos aguardando o laudo de três empresas para fixarmos um valor. Esse valor pode ser até mais alto, porque está em jogo o filé mignon da propriedade, ressalva Cordeiro Mendes. (L.D.)


