Prefeito proíbe que falem mal dele
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sexta-feira, 13 de abril de 2001
Lino Ramos De Londrina 
O prefeito de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), Eurides Moura (PMDB), está sendo acusado de proibir os servidores municipais de falarem mal de sua administração. Vereadores de oposição afirmam que Moura está agindo como nos velhos tempos da ditadura. Tudo por causa de uma portaria baixada no último dia 2, publicada em jornal local, em que Eurides diz que muitos funcionários têm feito críticas desabonadoras e ostensivas à atual administração e determina que todos os funcionários sejam informados que se tais fatos vierem a ser comprovados, os envolvidos serão advertidos e punidos conforme a lei. O prefeito se defende e garante que apenas quer melhorar o atendimento à população.
O vereador Arno André Giesen (PSB) classifica a medida de ditatorial e fascista, porque fere o direito à liberdade de expressão garantida pela Constituição Federal. A finalidade da medida é evitar que os trabalhadores reivindiquem seus direitos. Eles (administração) chamaram diversos funcionários e ameaçaram até com demissões se continuarem reivindicando seus direitos elementares. Isso não se vê no País há muito tempo. O prefeito pensa que está na época da ditadura, atacou. Ele disse ainda que nenhum dos 13 vereadores de Rolândia foi favorável à medida baixada por Eurides.
Mas o líder do prefeito na Câmara, José Danilson Alves de Oliveira (PMDB), defende a iniciativa. Segundo ele, a portaria é simples, porém meia dúzia de funcionários aproveitaram para jogar lama sobre o prefeito. Na opinião dele, a portaria foi mal pensada, mas não significa um coronelismo como estão pregando. É apenas para coibir os abusos, pois qualquer funcionário que fale mal de sua empresa está sujeito a demissão.
Para acabar com a polêmica, Oliveira sugere a criação de uma ouvidoria para denunciar o mau funcionário e beneficiar o bom. O presidente da Câmara alega que apenas três vereadores de oposição têm criticado a portaria.
Mas a psicóloga Cristina Schurmann, funcionária do setor social do município, também ataca a medida. O documento não chegou a ser colocado em mural nos departamentos, mas, independentemente disso é a elaboração do documento, que é ditatorial, arbitrário. O fato de não concordar com a administração não significa que não esteja produzindo, comentou. Ela entende que o Sindicato dos Servidores de Rolândia deveria tomar uma posição sobre a polêmica. Para o presidente da entidade, José Adão de Oliveira, a medida do prefeito não vai ao encontro dos anseios da categoria.
O prefeito Eurides afirma que a proposta é evitar o mau atendimento ao cidadão. Porque, ao invés de trabalhar, alguns funcionários só reclamam. A queixa contra alguns funcionários tem sido muito grande em função do mau atendimento, por isso baixamos esse ato, argumentou.
Segundo o prefeito, também estão proibidas reuniões pelos corredores da prefeitura. Enquanto estão batendo papo não estão trabalhando, afirmou. Aconteceram episódios ao ponto de um funcionário quase agredir um contribuinte. Ninguém quer proibir ninguém de reclamar, o espírito da lei é tentar melhorar a qualidade do serviço.
Eurides afirmou que a polêmica surgiu porque os salários de novembro e dezembro estão atrasados. Ele disse que anteontem estaria liberando o pagamento de novembro a 500 servidores que recebem até R$ 250. O prefeito disse que assumiu a prefeitura com mais de 1,4 mil funcionários para um município com 50 mil habitantes. Falar mal às vezes até ajuda. Como nosso governo é transparente, os adversários se apegam em coisas pequenas, ironizou. Na opinião do prefeito, a hierarquia e a disciplina são tônicas da administração pública. Sem elas não há como governar, filosofou.


