Prefeito proíbe anticon- cepcionais para aumentar FPM
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terça-feira, 18 de novembro de 1997
Agência Estado Bocaiúva do Sul 
O prefeito de Bocaiúva do Sul, na região metropolitana de Curitiba, Elcio Berti (PTB), baixou ontem um decreto proibindo a venda de medicamentos ou equipamentos anticoncepcionais na cidade. Ele pretende aumentar o número de habitantes para manter a mesma cota do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
O censo mostrou que a população, estimada em cerca de 12 mil habitantes, baixou para 8.570, levando o município a perder 40% do FPM a partir de janeiro. A arrecadação de R$ 120 mil que o município tem conseguido atualmente cairá para R$ 72 mil. Somente a folha de pagamento é de R$ 110 mil, lamenta o prefeito. Para o pagamento do salário atrasado dos 315 funcionários municipais, ele disse que precisou fazer um empréstimo de R$ 400 mil no início do mandato. Apesar de o pagamento estar em dia, ele não conseguirá quitar o 13º salário. Berti garante que o município tem, no mínimo, 10 mil habitantes.
O salário aumenta, os bancos vão nos cobrar e só o município vai perder?, questiona. Para que a população aumente, Berti quer convidar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para inchar Bocaiúva do Sul. Com 852 quilômetros quadrados de extensão, o município é um dos maiores da região metropolitana. Segundo ele, Colombo, cidade vizinha com a metade da extensão territorial, arrecada em FPM pelo menos 50% a mais, pois tem população superior a 150 mil habitantes.
O prefeito disse ontem desconhecer se o decreto tem amparo jurídico. Vou fazer o quê? Cobrar mais da população?, questionou. Se tirar 40% da arrecadação, não tem como administrar o município.


