O prefeito de Doutor Camargo (32 km a oeste de Maringá), Paulo Nocchi (PMDB), fechou ontem a prefeitura por dois meses e, para chamar a atenção da comunidade, colocou na rua, em ‘‘exposição’’, todo o maquinário do município. As dívidas da prefeitura de Doutor Camargo, segundo Nocchi, passam de R$ 3 milhões. Apesar do fechamento, o prefeito garantiu ontem que vai manter os serviços essenciais, como educação, saúde e limpeza pública.
Nocchi afirma que terá de informar à delegacia sobre o desaparecimento de diversos equipamentos do patrimônio municipal. ‘‘Levaram os aparelhos de fax, celular, calculadoras e até os instrumentos dos postos de saúde, como tesouras e pinças’’, contou o prefeito. Segundo ele, de todo o maquinário exposto, só uma van e um micro-ônibus estão funcionando. Entre as máquinas e veículos estão pás-carregadeiras, tratores, carros e ônibus.
O prefeito disse também que está pedindo ajuda da população para administrar o município. ‘‘Peço para o dono da farmácia pendurar conta de remédio porque não dá para deixar de atender os doentes e assim vou levando’’, afirmou o prefeito. Conforme Nocchi, a prefeitura está um ‘‘verdadeiro caos’’. ‘‘Estamos com os telefones cortados por causa de contas de mais de R$ 30 mil’’, afirmou.
Nocchi explicou que dos R$ 3 milhões de dívidas, R$ 1 milhão são de contas a curto prazo, sendo que só de folha de pagamento a prefeitura deve R$ 500 mil. A prefeitura tem 280 funcionários. Por causa das dívidas de médio e longo prazo, o repasse de ICMS – em torno de R$ 55 mil – está comprometido. A prefeitura, conforme Nocchi, está dependendo somente dos cerca de R$ 90 mil mensais do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Durante os dois meses em que a prefeitura vai ficar fechada, Nocchi pretende realizar uma auditoria completa nas contas. Objetivo é verificar rombos na contabilidade e tentar se adequar à nova Lei de Responsabilidade Fiscal. ‘‘Provavelmente, no final da auditoria, terei que apresentar denúncias ao Ministério Público’’, disse Nocchi. A Folha tentou falar ontem, mas não localizou o ex-prefeito Valter Bessani.
No segundo semestre do ano passado a Folha acompanhou a greve dos funcionários públicos. Na ocasião, eles estavam há mais de três meses sem receber. Por causa do atraso, grande parte dos funcionários chegou a perder crédito junto a mercados e farmácias e estavam dependendo da ajuda de parentes para comprar comida.
Na ocasião, representantes da administração negaram os problemas de atrasos salariais. Segundo eles, as reclamações eram isoladas e tinham cunho político por causa da proximidade das eleições municipais.
A situação vivida em Doutor Camargo é semelhante a de algumas prefeituras da região de Maringá. Prefeitos não reeleitos deixaram, além de dívidas, uma série de problemas que afetam principalmente a comunidade mais carente.

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