Prefeito pede pressão de
secretários a vereadores
Arquivo FolhaTRATORBelinati: a ordem é tentar dissuadir quem está disposto a apoiar a instalação da CP hojeO secretariado do prefeito Antonio Belinati está em campo desde o último final de semana, tentando convencer – direta ou indiretamente – os vereadores de Londrina a desistir da idéia de Comissão Processante (CP). Foi o próprio Belinati quem cuidou de dar o tom de como deveriam ser as abordagens. As orientações foram repassadas durante reunião reservada entre o prefeito e sua equipe, domingo, na empresa Z.K.F. Confecções, de propriedade de Farage Kouri, presidente municipal do PFL de Londrina e presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel).
Belinati passou uma relação com os nomes dos vereadores e os números de telefones de suas residências e empresas. O prefeito pediu empenho total de seus secretários na estratégia de demover os vereadores, principalmente os três do PFL que ainda sinalizam uma oscilação. Para ser instalada uma CP são necessárias 11 assinaturas. A Câmara de Londrina tem 21 vereadores. O próprio presidente da Câmara, Renato Araújo (PPB), admitiu na sexta-feira que, na quinta, havia 14 assinaturas pró-comissão.
Antes de pedir a ajuda, Belinati fez uma longa explanação sobre o escândalo AMA-Comurb, o pivô que desencadeou a crise política. O prefeito disse, na presença de Farage, que não tinha conhecimento das irregularidades, hoje investigadas pelo Ministério Público. Uma fonte garantiu à Folha que o discurso do prefeito ‘‘foi de vítima.’’ O prefeito teria dito ainda que foi envolvido nas acusações, razão pela qual justificaria uma ação de seus secretários sobre os vereadores. A mesma fonte observou ontem que muitos secretários ficaram ‘‘sem jeito’’ em atender o apelo de Belinati.
A busca de apoio, mais uma vez confirma o isolamento do prefeito. Nem o comando estadual do PFL nem o governo do Estado moveu uma palha em defesa de Belinati. Os pefelistas, reunidos na semana passada em Brasília, passaram a bola para Farage que, sozinho, tenta livrar Belinati da cassação.
O governador Jaime Lerner não fala sobre o assunto. Na sexta-feira, em Foz do Iguaçu, num gesto ele se recusou a comentar a crise do marido da vice-governadora Emília Belinati (PTB). ‘‘A base de apoio do Belinati está resumida aos poucos vereadores que ainda lhe dão apoio. Ele está cada vez mais fraco. Sozinho, o Farage não vai conseguir segurar essa onda. O Belinati fez o correto (ao chamar os secretários). Ele precisa de mais respaldo político’’, observou um pefelista do comando estadual, que, apesar da auto-crítica, acompanha à distância os desdobramentos da crise em Londrina.
A Folha tentou contato com Farage para repercutir a reunião de Belinati com o secretariado em sua empresa, mas não foi possível. O celular de Farage estava desligado, por volta das 19 horas. (L.D.)

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