No estaleiro, pelo menos 80% dos 42 veículos da frota municipal estão parados, sem pneus ou praticamente em estado de sucata. No prédio da prefeitura fechado ao atendimento à população em razão de uma auditoria interna os telefones estão cortados, à espera do pagamento de R$ 8 mil referentes aos meses de novembro e dezembro de 2004. A comunicação com o meio externo é feita por quem tem celular e, nesse caso, tem de ter o dinheiro para pagar pelas ligações efetuadas pelo aparelho.
Apesar de integrar a chamada Região Metropolitana de Londrina (RML) - cidade onde, só de recursos próprios, devem ser investidos este ano R$ 20 milhões -, Jataizinho está em uma situação bem diferente da vizinha. Além de um maquinário que hoje é mais problema que solução às necessidades do cidadão, o prefeito recém empossado, Wilson Fernandes (PDT), de 43 anos, diz estar com uma dívida empenhada de pelo menos R$ 500 mil, quase 7% do orçamento de 2005, previsto em RS 6,535 milhões.
O valor se refere a contas não pagas com fornecedores e prestadores de serviços, entre os quais a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel). Segundo o assessor de contabilidade do Executivo, Marcos Vinicius Medri, o montante aqui é o maior empenho que sobrou para atual gestão: R$ 226 mil. ''A ex-prefeita (Terezinha Sanchez) havia nos passado o valor de R$ 90 mil'', comentou.
Os problemas têm feito com que o prefeito adotasse o velho discurso da paciência, ao mesmo tempo em que cita poucas áreas de atuação este ano, sem previsão de valores a serem investidos em cada uma delas. A auditoria interna, que termina no próximo dia 14, explicou, é para ''mostrar a realidade'' do que o município de fato deve e que tipos de convênios estão pendentes.
''Assumi com os dois caminhões de lixo sucateados e cheios de lixo, parados no pátio'', afirmou Fernandes, segundo o qual foi preciso fazer o serviço em dois dias, em caráter de urgência. Em relação aos demais veículos, o novo chefe do Executivo de Jataizinho é taxativo: ''Agora estamos em férias escolares, mas por enquanto não tenho a mínima idéia de como arrumar dinheiro para colocar pneus nos ônibus escolares'', definiu.
Mesmo com as dificuldades, Fernandes faz questão de ressaltar que a população pode, e deve, cobrar dele, ao final deste ano, questões como a saúde materializada aqui na Unidade Básica de Saúde (UBS) da Área Central, uma das três do município e o asfaltamento de ao menos parte da demanda. ''Até dezembro, isso vai ser prioridade. Os outros setores nós atacamos aos poucos'', garantiu. E, fora o orçamento do Executivo, qual a verba para isso? ''O jeito será preparar projetos e apresentar a todo mundo: União, Estado, deputados... Não me importa quem ajude, porque a cidade está uma bomba'', desabafou.
A exemplo de outros prefeitos da região que adotaram iniciativas para a contenção de gastos, Fernandes cortou três cargos do alto escalão e elegeu funcionários de carreira para os demais, ao invés de comissionados. ''São mais de R$ 10 mil mensais economizados só em salários'', justificou ele, que tem somente dois dos nove vereadores eleitos pela mesma coligação. ''Na minha posse, pedi às pessoas que me julgassem ao final de quatro anos, e não ao fim deste; seria covardia'', advertiu.
A Folha tentou contato com a ex-prefeita Terezinha Sanchez (PMDB), mas ela não foi localizada. A advogada dela também foi consultada, mas não atendeu os telefonemas da reportagem, ao fim do dia, como havia estabelecido.
Amanhã: Confira a situação de Arapongas.

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