Prefeito nega ser mandante de homicídios
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de março de 2001
Valmir Denardin De Curitiba 
O prefeito de Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama), o padre licenciado Adelino Gonçalves (PMDB), negou ontem ser o mandante do assassinato de seu vice, Aires Domingues (PPS), e do presidente do diretório local do PPS, Carlos Alberto de Carvalho. Qual seria meu interesse em perder dois aliados?, perguntou. Carvalho foi seu coordenador de campanha, no ano passado.
O vice-prefeito e o presidente do PPS foram mortos a tiros há uma semana, no escritório do primeiro. O ex-sargento da Polícia Militar José Lucas Gomes, preso na última segunda-feira, confessou o crime e apontou o prefeito como mandante. Ontem, o advogado do ex-militar, Silvio Hemerson Guerra, disse que seu cliente teria sido torturado para incriminar o prefeito (leia texto nesta página).
No final da tarde de ontem, a Procuradoria-Geral de Justiça no Estado encaminhou ao Tribunal de Justiça (TJ), em Curitiba, pedido para que seja decretada a prisão preventiva de Gonçalves. A Constituição garante foro privilegiado aos prefeitos. O pedido será avaliado por um desembargador.
Gonçalves está em Curitiba desde a noite de segunda-feira. Ontem, acompanhado de seu advogado, Mozarte de Quadros, ele esteve no TJ. Apresentou uma petição se colocando à disposição do tribunal para prestar esclarecimentos. O pedido, incomum, causou surpresa no TJ.
Demonstramos que meu cliente nunca fugiu nem se escondeu e, por isso, não há a necessidade da prisão, explicou Quadros. Se o prefeito vier a ser processado criminalmente, a investigação será conduzida pela Procuradoria-Geral de Justiça, com julgamento no TJ.
Gonçalves está afastado de suas atribuições religiosas desde a convenção partidária que o lançou candidato, em julho passado. Administra um município com 10,3 mil habitantes e uma dívida de R$ 1,2 milhão seis vezes a arrecadação mensal. Na casa do advogado, onde está hospedado, o prefeito, de 45 anos, concedeu a seguinte entrevista à Folha.
Folha O senhor é acusado de ser mandante do crime. O que diz sobre isso?
Adelino Gonçalves Sou inocente. Qual seria meu interesse em perder um vice e um coordenador de campanha? Agora meu vice é o presidente da Câmara Benedito Oscar (PPB) , meu adversário. Sou o grande prejudicado nessa história.
Folha O senhor conhece o acusado do duplo homicídio?
Gonçalves O conheci quando fui candidato a vice-prefeito de Rancho Alegre do Oeste (pelo PT), em 96. Ele tinha uma lanchonete lá. Mas faz quatro anos que não tenho nenhum contato com ele.
Folha A quem o senhor atribui o crime?
Gonçalves Não posso atribuir a ninguém. Não quero que outros sejam injustiçados como estou sendo. Mas a polícia precisa investigar a vida pessoal, econômica e profissional (dos dois mortos). Não podem só ficar no campo político.
Folha Neste momento o senhor está buscando apoio religioso?
Gonçalves Estou tentando ficar desvinculado da Igreja enquanto exerço o mandato. Combinei isso com meu bispo (dom Mauro Aparecido dos Santos, de Campo Mourão).


