Prefeito nega perseguição a funcionários da CMTU
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quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Paula Barbosa Ocanha/Redação FolhaWeb 
Funcionários e ex-funcionários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) denunciaram hoje (13), na Câmara de Vereadores, uma suposta ''indústria da multa'' em Londrina. Os funcionários disseram sofrer pressão da empresa para multar em troca de ''benefícios''.
A tribuna do plenário foi utilizada para apresentação de uma lista de supostas irregularidades na CMTU. Um vídeo foi apresentado com uma gravação do presidente da CMTU, André Nadai, na qual ele incentivaria os agentes de trânsito a ''aumentar a receita'' do órgão para que pudessem adquirir ''melhorias'', como, por exemplo, plano de saúde.
O presidente da companhia, André Nadai, a assessora jurídica, Cristel Rodrigues, e o diretor de trânsito e transporte, Wilson de Jesus, chegaram a ser convocados para compor a tribuna, mas não se manifestaram. O motivo foi o tempo. Foram cencedidos 14 minutos para a defesa, o que foi considerado insuficiente por Nadai.
O presidente interino da Mesa Executiva, vereador Rony Alves (PTB), sugeriu que as discussões fossem retomadas na próxima sessão, para que houvesse tempo hábil de argumentação.
Diante da manifestação de outros parlamentares, o assunto deve ser retomado apenas daqui a uma semana, na sessão do dia 20 de outubro.
O prefeito Barbosa Neto (PDT) negou, ainda pela manhã, durante sua entrevista coletiva semanal, que funcionários da CMTU que testemunharam contra a empresa em uma ação aberta pelo Ministério Público (MP) estariam sofrendo represálias e demissões sem justificativa.
Segundo o prefeito, "os funcionários não têm culpa de nada disso e vão continuar trabalhando sem perseguição". A ação investiga possíveis fraudes no Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) da CMTU.
"Esse PCCS não foi (feito) na nossa administração. Isso foi de 1997, 2004 e 2006. Quem foi procurar o Ministério Público do Trabalho para fazer a regularização desses funcionários vai continuar trabalhando sem perseguição. Não queremos saber quem são eles, de que partidos são, em quem votaram ou deixaram de votar. Eles entraram por concurso público, transparente e também serão respeitados por todos nós", ressaltou.
O prefeito salientou que anteriormente havia na CMTU cerca de 50 cargos comissionados, e agora em sua administração só há cinco. "Hoje são dois advogados, o André Nadai, o (Danilo) Frisselli e o Luciano Borrozzino, que trabalham 12, 14, 15 horas por dia, não têm sábado, domingo, feriado, e sempre estão prontos a nos atender. Acabou a farra que existia anteriormente e agora querem nos criticar porque estamos agindo de forma correta. Hoje temos 50 cargos (comissionados) na Prefeitura inteira. E eles estão aí para trabalhar, não cabide de emprego."
Barbosa também comentou sobre a "indústria da multa", que alguns vereadores defendem que existe na cidade. Os vereadores Joel Garcia e Eloir Valença, por exemplo, protocolaram um projeto na Câmara Municipal que possivelmente será votado em primeira discussão na sessão de hoje da Casa para proibir o uso de radares móveis pela CMTU.
"Nós não colocamos radares para ficar flagrando quem quer que seja cometendo infrações. Mas com mais de 80 veículos que são emplacados diariamente no Detran em Londrina, nós temos que cuidar para que não haja mais mortes como tivemos nos oito primeiros meses com 47 pessoas que perderam suas vidas por atropelamentos e acidentes de trânsito."
André Nadai convovou uma coletiva no final da tarde e também negou as acusações. Ele disse que não existem benefícios concedidos a nenhum funcionário, inclusive à sua esposa.
Sobre a ''indústria da multa'', Nadai admitiu que houve uma melhora na receita da Companhia, mas que isso não significa que houve ''incentivo'' para multar. Nadai alegou que o efetivo de fiscalização é que aumentou nos últimos anos e, por haver mais agentes, mais multas estão sendo aplicadas.
Já sobre o vídeo mostrado na Câmara, o presidente diz que ali ele apenas explica aos funcionários a situação financeira da CMTU.
Com informações dos repórteres Eli Araújo e Vinícius Zanin.
(Colaborou Mariana Guerin)


