O prefeito de Guarulhos, Jovino Cândido (PV), candidato à reeleição, negou ontem qualquer participação de integrantes de sua campanha no atentado à bomba contra um comitê da campanha do petista Elói Pietá, ocorrido anteontem, que deixou cinco feridos. Ele classificou o atentado como ‘‘uma farsa’’ montada pelo PT, com o objetivo de influenciar as eleições.
‘‘Eu não seria leviano e burro para agir dessa forma’’, argumentou ele. ‘‘Sou o segundo colocado nas pesquisas e prejudicaria muito minha campanha num ato assim.’’
Segundo Cândido, um dos seus comitês recebeu anteontem vários telefonemas, avisando que uma bomba seria posta no local. ‘‘Mas, ao contrário do pessoal do PT, não fomos aos jornais ou à polícia para denunciar.’’
Anteontem, no comitê em que se prepara a propaganda eleitoral de Elói Pietá, integrantes do PT, além do candidato, atribuíram o atentado a pessoas ligadas a Cândido ou ao ex-prefeito Néfi Tales. O vereador petista Orlando Fantazini viu no fato a repetição de um episódio da disputa de 1996, quando o partido denunciou casos de improbidade administrativa que teriam tido aval de Néfi Tales e seu diretório municipal foi incendiado. Cândido concorreu a vice na chapa do prefeito afastado.
Na ocasião, os adversários afirmaram que o incêndio no diretório municipal teria sido praticado por setores do PT, para indispor Néfi Tales com a opinião pública. Na opinião do deputado federal José Genoino (PT-SP), o atentado de quarta-feira refletiu ‘‘o desespero dos rivais diante da provável vitória de Pietá.’’
O vereador eleito Sebastião Almeida (PT) considerou ‘‘leviana’’ a acusação do prefeito de Guarulhos. ‘‘Não acreditamos que o atentado tenha sido uma ação planejada, mas um ato isolado de alguém ligado a ele.’’
O delegado titular do 1º Distrito Policial de Guarulhos, Wilson Grande, requisitou exame residuográfico para identificar restos do material explosivo nas mãos e pés de duas das vítimas. O material recolhido foi enviado para análise no Instituto de Criminalística.