O prefeito de Arapuã (160 km ao sul de Apucarana), José Pereira da Silva, o ‘‘Zé Tarugueiro’’, negou ontem em interrogatório ao juiz criminal de Ivaiporã, Alexandre Kosechen, ter sido o mandante do assassinato do ex-prefeito Hélio Mathias. Ele foi morto em abril de 97, em Arapongas, quando saía de uma concessionária de automóveis, recebendo dois tiros à queima-roupa, disparados por pistoleiros de aluguel.
Passados mais de três anos do crime, o depoimento de Tarugueiro era aguardado com muita expectativa em Arapuã e em toda região do Vale do Ivaí. A notícia de que a família e amigos do prefeito assassinado iriam promover um manifesto contra a impunidade, resultou ontem na montagem de um forte aparato de segurança em frente ao Fórum, em Ivaiporã.
O juiz criminal determinou que a Polícia Militar bloqueasse o trânsito em frente ao prédio e negociou diretamente com a família Mathias, para evitar um possível confronto de facções, ou até mesmo a possibilidade de inviabilizar o interrogatório do prefeito, acusado por homicídio qualificado. Ele foi denunciado pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ). Apesar do clima tenso, tudo transcorreu dentro da normalidade.
Deodato Mathias (PSDB), vice-prefeito eleito de Arapuã e irmão do ex-prefeito, estava nos corredores do cartório criminal, acompanhado de familiares e amigos. Ele explicou que, a pedido do juiz, o manifesto foi cancelado. ‘‘O atual prefeito de Arapuã poderia alegar falta de segurança e não comparecer para ser interrogado’’, justificou.
Conforme declarou Deodato, sua família e grande parte da população de Arapuã acreditam que tenha sido mesmo Zé Tarugueiro o mandante do assassinato. ‘‘Esta é também a conclusão das investigações dos delegados de Ivaiporã e Arapongas, também avalisada pela promotoria’’, alegou o irmão da vítima, reafirmando que sua família e todo o povo de Arapuã querem o fim da impunidade. A população chegou a fazer um protesto silencioso cobrando Justiça, há cerca de dois anos. Moradores saíram às ruas em passeata durante à noite, com velas acesas. A manifestação terminou com uma missa na igreja de Arapuã, que contou, inclusive com a participação de Tarugueiro.
Na saída do Fórum ontem, o prefeito declarou à Folha que nunca fugiu da Justiça e que, desde que começaram a surgir acusações contra ele, sempre ‘‘esteve à disposição das autoridades’’. ‘‘Vários depoimentos do inquérito policial e na Justiça deixam indícios de outra autoria do crime. Para lembrar apenas um deles, basta citar que várias pessoas testemunharam declarações do fazendeiro Antônio Scramin, que dizia, ainda antes da eleição de 96, que o Hélio Mathias ganhava, mas não iria governar’’, afirmou Tarugueiro.
O prefeito tentou, mas não conseguiu se reeleger no dia 1º. Já a família Mathias emplacou dois representantes na política local. Além do vice, a população elegeu vereador João Carlos Mathias, que também é irmão do prefeito assassinado.
Mathias só ocupou a cadeira da prefeitura por pouco mais de 100 dias. Foi o primeiro prefeito de Arapuã, que se emancipou de Ivaiporã. Antes, ele tinha atuado como vereador em Ivaiporã.