Curitiba - A prefeitura de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, desmentiu ontem o relatório que aponta irregularidades no pagamento do benefício Bolsa-Família no município. O relatório é a conclusão final da Comissão Especial de Investigação (CEI), instaurada pela Câmara de Vereadores para apurar porque pessoas cadastradas no programa com endereços de Curitiba recebiam o dinheiro em Almirante Tamandaré. O prefeito César Manfron (PTB) informou ontem que essas pessoas não recebem mais o dinheiro, uma vez que houve um recadastramento há dois meses com a unificação de todos os programas assistenciais do governo federal no Bolsa-Família e os vereadores estavam com uma lista de junho.
''A grande confusão se deu com os cadastrados no antigo Bolsa-Escola'', explicou o prefeito. Isso porque, segundo ele, para receber esse benefício bastava a comprovação de que o aluno estudava no município, frequentava as aulas e tinha idade para participar. Já o endereço para o cadastro poderia ser qualquer um, explicou o prefeito. ''Com a unificação dos programas, recadastramos e as pessoas que não tinham endereço em Almirante Tamandaré foram automaticamente excluídas'', afirmou. Manfron reclama que a CEI não chamou nenhuma dessas pessoas para depor e dizer se estão mesmo recebendo o dinheiro.
A reportagem da Folha foi até alguns endereços cadastrados em Curitiba e tentou localizar algumas dessas pessoas, porém sem sucesso. Os três endereços visitados (um hotel, uma panificadora e um restaurante) são ou eram os locais de trabalho dessas pessoas e não residências delas. A gerente do hotel reconheceu um nome, mas a camareira não estava no horário de trabalho. O mesmo aconteceu com o funcionário da panificadora. Já no restaurante, a proprietária confirmou que a mulher procurada pela reportagem já havia trabalhado no local há alguns meses.
A assessoria do Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome informou que não é regular, pelas regras do Bolsa-Família, que o cadastro seja feito com o endereço comercial da pessoa. Quanto à exigência de endereço do antigo cadastramento do Bolsa-Escola, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), informou que era obrigatório que aluno residisse no mesmo município que estudava e recebia o benefício, ao contrário do que alegou o prefeito Manfron.
Depois de todas as denúncias de irregularidades no programa e de cartões engavetados nas agências da Caixa Econômica Federal, o banco resolveu fazer um mutirão de entrega hoje. Treze agências, incluindo Londrina, Curitiba, Maringá, Ponta Grossa, Apucarana, Mandaguari, litoral e seis municípios da RMC, vão abrir hoje das 9 às 13 horas para atender quem quiser buscar o cartão.

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