Prefeito nega fraude em licitação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de junho de 2000
Telma Elorza De Londrina 
O prefeito de Ribeirão do Pinhal (57 quilômetros a oeste de Jacarezinho), Benedito Antônio Silveira Pinto (PFL), esteve ontem na Folha para rebater as acusações feitas pelo ex-prefeito da cidade, Edeval Gonçalves de Azevedo, publicadas na edição do dia 4 de junho. Benedito Pinto, acompanhado pelo vice-prefeito Cícero Rogério Sanches (PSDB), trouxe farta documentação que comprovaria que não houve fraude em uma licitação para transporte de calcário nem superfaturamento na compra de um terreno para construção de de casas populares, além de outras irregularidades de que foi acusado.
Segundo o prefeito, ele não se manifestou na época por acreditar que quem não deve não teme. Mas como a Folha é um jornal de grande penetração, resolvi dar uma satisfação a meus amigos e à população. Como fui presidente da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro, para mim a repercussão da reportagem foi prejudicial pois tenho um nome a zelar, afirmou.
De acordo com Benedito Pinto, todos os documentos que comprovariam a lisura de seus atos serão entregues ao Ministério Público. Só não entreguei ainda porque sequer fui chamado pelo MP, disse. Segundo o prefeito, as acusações tem objetivo eleitoreiro já que o denunciante é candidato à prefeitura do município. Como ele não pode falar da minha administração, tenta me atacar, afirmou.
O prefeito disse que tem todos os documentos que comprovariam que o valor pago pelo transporte de três mil toneladas de calcário foi menor do que o próprio denunciante havia pago pelo mesmo serviço, na administração anterior. Em 96, ele mandou uma carta-convite com o preço de R$ 0,065 por quilômetro corrido, tendo então um custo de R$ 1,30 para o município. Enquanto na licitação que ele me acusa de fraudar, em julho de 97, o preço estipulado foi de R$ 0,056 por Km/tonelada, e só pagamos carregado, apontou.
Além disso, segundo o prefeito, a empresa de transporte vencedora da licitação tercerizou alguns caminhões utilizados no transporte. Assim, além dos dela, também contratou outras empresas, como a minha e de outros. Tenho aqui as notas, todas aprovadas pelo Tribunal de Contas, afirmou.
Quanto ao superfaturamento pela compra de um terreno para construção de uma Via Rural, Benedito Pinto diz o denunciante tentou distorcer a realidade. O que aconteceu é que o proprietário das terras não aceitou vender pelo preço avaliado pela Secretaria de Agricultura, R$ 25 mil. Por menos de R$ 32 mil, ele não vendia, afirmou.
Segundo ele, foi pedido um outro laudo de avaliação, assinado por um corretor de imóveis, pelo dono do cartório de registro de imóveis e pelo tabelião que comprova que o valor de mercado era de R$ 32 mil. Com isto em mãos, pedi a autorização da Câmara para pagar a diferença, através do projeto de lei nº 018/98, que passou pela Comissões de Finanças e de Justiça, disse. De acordo com ele, a diferença ainda foi negociada. Dei 50% em dinheiro, e 50% foram pagos com máquinas da prefeitura trabalhando para ele a preço de mercado. Uma transação também aprovada pela Câmara, explicou.
De acordo com o prefeito, ele também tem documentos para rebater todas as outras denúncias feitas pelo adversário. Depois de comprovar minha inocência, vou acioná-lo judicialmente por danos morais, garantiu.


