'Prefeito não é quadrilheiro', diz advogado
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quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
O advogado do prefeito de Londrina, José Joaquim Ribeiro (sem partido), Paulo Nolasco, negou que seu cliente integre a quadrilha supostamente chefiada por Barbosa Neto (PDT), conforme denúncia apresentada anteontem pelo Ministério Público (MP) do Paraná e que aponta desvio de R$ 3,8 milhões da prefeitura por meio da compra de uniformes escolares para 2011 e 2012. Do total, R$ 540 mil teriam sido destinados a propina para agentes públicos. ''Ele não é quadrilheiro'', afirmou Nolasco. ''Ele não pegou nenhum dinheiro.'' Segundo apurou a FOLHA, o MP pediu a prisão preventiva de Ribeiro, de Barbosa e dos ex-secretários Marco Cito (Gestão Pública) e Lindomar Mota dos Santos (Fazenda).
Em depoimento ao MP, Ribeiro admitiu ter pego R$ 150 mil de José Lemes, representante das empresas que forneceram uniformes. Disse que teria ficado com R$ 50 mil para saldar dívidas de campanha; e repassado iguais quantias a Barbosa e a Lindomar. Nolasco voltou a dizer que considera o depoimento inválido por Ribeiro estar sem advogado. ''É uma questão processual de que vamos tratar no decorrer do processo.''
O advogado Walter Bittar, que defende o empresário Marcos Divino Ramos, dono da G8, disse que após o recebimento da denúncia irá contratar uma empresa especializada em auditoria para analisar a contabilidade da empresa. ''Vamos contrapor as informações que constam da denúncia com os serviços de uma auditoria privada. Meu cliente nunca pagou propina.'' A análise demoraria cerca de 60 dias para ser concluída e, posteriormente, seria anexada como parte da defesa de Ramos, que está preso desde 28 de agosto.
A denúncia, que acusa 19 pesssoas de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e falsidade ideológica, está sob responsabilidade do desembargador José Maurício Pinto de Almeida, da 2 Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, já que Ribeiro tem foro privilegiado para ações criminais.
Quanto a Barbosa, que teria envolvimento no recebimento integral da propina, seu assessor, José Otávio Sancho Ereno, disse que ele ainda não contratou um advogado para o caso, porém, nega qualquer fraude nos uniformes. Segundo a denúncia, Barbosa recebeu a propina em seis vezes, das mãos da ex-secretária de Educação Karin Sabec, do prefeito Ribeiro e pessoalmente do empresário Marcos Ramos, com quem teria se encontrado em janeiro de 2011 em Boituva (SP). Marco Cito teria participado do encontro.
Se decretada a prisão de Barbosa, ele somente poderia ser detido até sexta-feira, já que, conforme o calendário da Justiça Eleitoral, a partir de 22 de setembro é proibida a prisão de candidatos por mandado de prisão. Os candidatos podem ser presos apenas em flagrante delito.


