Prefeito 'nº 1' é motivador e já pensa no quarto mandato
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domingo, 14 de janeiro de 2007
Widson Schwartz<br> Especial para a Folha 
Loanda - Seu nome é Álvaro de Freitas Netto, prefeito de Loanda (20.468 habitantes, a 102 quilômetros de Paranavaí), responsável pelo melhor índice de responsabilidade fiscal e social (IRFS) em 2005, segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que analisou balanços orçamentários de 4.164 Prefeituras. A ''personalização'' do resultado está em um cartaz de 30 x 20 centímetros, gentileza de uma gráfica local, com a fotografia do ''Prefeito Nº 1 do Brasil'', que conquistou a posição no terceiro mandato praticamente consecutivo, marca que ele pretende superar, reelegendo-se.
''Todo homem público tem uma ambição e eu queria três gestões consecutivas'', explica Freitas, que está com 63 anos. Impedido pela legislação de se candidatar novamente em São Pedro do Paraná, onde foi prefeito por dois mandatos, renunciou em março de 2004. Já estava morando em Loanda. O cartaz do ''prefeito número um'' parece sugerir uma candidatura a deputado, mas ele responde que só tem pensado na reeleição. Eleito pelo PPS e atualmente sem partido, Freitas disse ter-se desfiliado para apoiar o candidato a governador Roberto Requião (PMDB), que venceu em Loanda pela primeira vez.
Nascido em Catanduvas (SP), Álvaro tinha seis anos em 1952, quando a família chegou a Arapongas, motivo do apelido, que ganhou aos oito anos de idade já morando em São Pedro do Paraná. Nesta cidade, trabalhou com o irmão Antônio, que tinha máquina de café; outro irmão, Nelson, seria eleito e reeleito prefeito. Álvaro se tornou empresário de transporte no Rio Paraná e ingressou na Prefeitura, permanecendo 21 anos, até aposentar-se. Conta que já no cargo de secretário, começou a distinguir o que era bom e o que não era em administração pública.
Com 67,79% dos votos em Loanda (contra dois concorrentes), hoje a sua aprovação passa de 80% e está com a reeleição garantida, acreditam aqueles mais motivados, considerando-o uma mudança da cultura administrativa. O presidente do Sindicato Rural Patronal, Aristides Augusto Martins, acompanhando a política local há 51 anos, menciona ''uma geração de bons prefeitos, que nunca roubaram, isso nunca, mas a dinâmica atual é de um prefeito mais moderno, mais atualizado''.
A Câmara, presidida pelo aliado Nilson Wander Spinardi (PTB), se adaptou à linha de austeridade, economizando e devolvendo ao Executivo R$ 76,6 mil em 2005 e R$ 88,2 mil em 2006. Segundo o prefeito, ''existe oposição, mas o diálogo é bom'', referindo-se aos quatro vereadores do PDMB, partido que teve candidato próprio, o industrial Wanderlei Vilar. A oposição atua coerentemente, ''sem dizer amém ao prefeito'' e sem travar os bons projetos, afirma o vereador Edílson Mella (PMDB), que nas eleições fazia parte do PTB, partido ao lado de Freitas. Os demais vereadores representam o PTB (1), o PPS (3) e o PSDB (1). Todos os vereadores e o prefeito apoiaram Roberto Requião para o governo.
Há uma motivação e todos falam do prefeito que faz previsão financeira para cada três meses, termina obras e, em vez de pagar juros de 10% ao mês pelas compras, consegue descontos de até 35%. ''Ele faz o que é preciso. Só conversei com ele uma vez, mas se for candidato dez vezes, voto nele'', diz Pedro Rozalém, 61 anos, acompanhado pelo irmão Sérgio, 51, que compartilha a opinião.
Por vezes em tom satírico, difunde-se a hipótese de que algum município vizinho possa levá-lo. ''Um cara de Paranavaí me disse que se o Arapongas for para lá, ganha estourado. A não ser que isso seja só conversa de rua, né?'', comenta Gerival Dionísio Pereira, 60 anos, paulista que chegou a Loanda em 1957.
Há reparos, no sentido de que o sucesso administrativo é ''sequência'' do que vinha fazendo o antecessor (leia nesta página). E Loanda divide o primeiro lugar com São Sebastião do Oeste (MG), que também atingiu 0,632 (IRFS).


