Imagem ilustrativa da imagem Prefeito João Doria, gari por um dia
| Foto: Fábio Arantes/Secom
O gesto de Doria e seu secretariado foi visto sob diferentes ângulos entre os garis, da ridicularização ao elogio


São Paulo - A varrição prometida pelo prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), ficou só no gesto: cercado pela imprensa e por cidadãos, o prefeito, vestido de gari, só conseguiu colher algumas folhas e colocá-las no cesto de lixo em uma ação que durou menos de 10 segundos. Doria ganhou um par de luvas de uma gari que a abraçou. "Posso usar?", perguntou. "Não, é só para tirar foto e depois você me devolve", retrucou ela.

O ato foi sua primeira agenda pública e simbolizou o início do programa Cidade Linda, de ações de zeladoria e limpeza urbana na capital, ao lado de seu secretariado também vestido como gari. Ele se comprometeu a fazer, pessoalmente, varrição das ruas da cidade de São Paulo uma vez por semana até o fim de sua gestão. O projeto tem como foco a limpeza de praças, jardins, parques, avenidas e demais espaços públicos, especialmente os que tiverem sido alvo de vândalos ou de pichadores.

Após cerca de uma hora sem conseguir varrer, Doria parou para tomar café em um bar da região. A ação causou tumulto: fotógrafos e cinegrafistas começaram a subir nas mesas do estabelecimento e até no balcão para registrar o momento. O secretário de comunicação Fábio Santos pediu que descessem. "É sacanagem com o bar", mas não foi obedecido.

Entre os garis a ação foi vista sob diferentes ângulos, da ridicularização ao elogio. "Ele vai virar meme (imagem que viraliza nas redes sociais com algum tipo de piada) até dizer chega", disse um deles em meio à multidão. Outros viram o prefeito com bons olhos. "É bom que ele vai conhecer a cidade. Falta organização no centro. Junta muito carroceiro e morador de rua e eles fazem uma bagunça, uma sujeira. Se mexer com eles, partem para cima. Já presenciei muita briga, principalmente na Cracolândia", diz o motorista dos garis Cleber Pedro da Silva, de 38 anos, há oito meses no cargo.

Doria também se comprometeu a ser catador de recicláveis por um dia após ser abordado por representantes do movimento social Pimp my Carroça. Eles entregarem a ele o manifesto "Do lixo, vivo!", com reivindicações da categoria sobre coleta seletiva de lixo.

MORADORES DE RUA

Alguns moradores de rua ficaram revoltados por terem sido retirados do local. Eles foram convidados a ficar em uma quadra para que a ação fosse realizada. "Tenho duas carroças, a barraca e um cachorro. Não cabe nada na quadra, fora que tira o lazer das crianças", reclamou Débora Moreira Silva, de 37 anos. Ela disse que a população local foi avisada da ação com dez dias de antecedência.

À reportagem, o secretário adjunto de Assistência e Desenvolvimento Social Felipe Sabará disse que a equipe de Doria já estava no local conversando com os moradores de rua cerca de um mês antes da ação. "Juntamos várias ONGs que trabalhavam com eles para nos ajudar e comunicamos que haveria uma ação de limpeza. Eles mesmos sugeriram o local para ficar (o espaço abrigava um estacionamento em terreno invadido ilegalmente, segundo Sabará)", disse.

Ele destacou que, ao longo da limpeza, desde às 6h, todos tiveram acesso a atendimento médico, odontológico, cabeleireiro e até cadastro para bolsa-aluguel e criação de currículos.

CRIVELLA DOA SANGUE
Já o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, em sua primeira agenda pública, convocou familiares e secretários a doar sangue no Hemorio, principal hemocentro do Rio de Janeiro. Compareceram sua mulher, Silvia Jane Crivella, o filho, a nora e os secretários de saúde, Carlos Eduardo, e de Assistência Social e Direitos Humanos, Teresa Bergher.

O prefeito contou que a ideia foi sugerida por uma médica e destacou que a doação é importante neste momento do ano, por causa da demanda gerada pelos acidentes de trânsito.

mockup