Prefeito e vice podem ser convocados para depor na PF
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segunda-feira, 29 de agosto de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
No dia em que o inquérito que apura gastos não contabilizados na campanha do Partido dos Trabalhadores (PT) em Londrina completou um mês, o delegado que preside as investigações, Kandy Takahashi, sugeriu que o prefeito Nedson Micheleti e seu vice, Luiz Fernando Pinto Dias, devem ser chamados para depor. A declaração foi feita na sede da Polícia Federal (PF), onde foi apresentado um balanço dos 30 dias de trabalho no caso. Também ontem, Takahashi pediu à Justiça Eleitoral a extensão do prazo em mais 60 dias. A resposta pode sair ainda hoje.
De acordo com o delegado da PF, até agora já foram levantados cerca de R$ 135 mil não contabilizados pela campanha petista, no inquérito que ouviu, entre denunciantes a ex-assessora financeira Soraya Garcia e o motorista R.B. e testemunhas, 42 pessoas. A maior parte do valor, continua o policial, se refere a gastos não registrados com publicidade (R$ 62 mil), combustível (R$ 45 mil) e locação de veículos (R$ 12 mil).
Sobre os provéveis depoimentos de Nedson e Luiz Fernando, o delegado justificou que eles devem ser tomados ao final do inquérito já que, pela legislação eleitoral, os candidatos são os responsáveis pelas prestações de conta de suas campanhas. ''Temos documentos arrolados no inquérito e pelo menos 10 depoimentos que comprovam esses R$ 135 mil'', afirmou.
Também devem ser convocados a depor o presidente municipal do PT, Jacks Dias, o assessor da prefeitura Fábio Reali e o ex-diretor administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Augusto Ermétio Dias Junior, integrantes da coordenação de campanha de Nedson e citados nos autos por Soraya e por R.B. No caso de Dias Junior, o delegado adiantou que ele terá de explicar de onde veio o dinheiro que ''exorbitam a movimentação (bancária) normal dele''.
Na denúncia, Soraya afirmou que pelo menos três cheques de R$ 10 mil teriam sido depositados na conta dele. Os resultados parciais da quebra de sigilo fiscal e bancário de Dias Junior, determinada pela Justiça, já foram examinados pelo delegado.
De manhã, durante do depoimento de duas ex-funcionárias da comunicação da campanha, o advogado do PT, João dos Santos Gomes Filho, criticou o pedido de extensão do inquérito considerando-o ''um absurdo, uma pantomima circense''. ''A não ser que queiram usao o MP e a PF para fazer política. Eu não acredito que isso aconteça em Londrina'', sugeriu. O delegado não quis comentar as declarações do advogado. ''É a liberdade de expressão dele'', resumiu.
Questionado sobre a disparidade entre os valores apurados até aqui e os denunciados por Soraya, Sogaiar avaliou que ''30 dias é pouco'', mas ressalvou que há mais a se investigar. ''Há essa disparidade, mas Soraya mencionou valores altíssimos pagos o dia na véspera da eleição. Vamos tentar levantar esses montantes'', explicou.


