Prefeito e vereador trocam acusações em Jardim Alegre
A ameaça de fechamento da Câmara de Vereadores de Jardim Alegre (115 km ao sul de Apucarana) feita pelo presidente da Casa, Luiz Gilberto Spadrizani (PFL), serviu para acirrar as diferenças políticas entre ele e o prefeito Osmir Miguel Braga (PTB). Spadrizani cogitou fechar a Câmara caso o prefeito não repassasse os recursos para pagamento dos salários atrasados dos vereadores, funcionários e fornecedores. O prefeito disse anteontem à Folha que não aceita pagar toda a despesa da Câmara - R$ 21 mil/mês - por achar fora do padrão da região.
Braga disse ter feito uma pesquisa informal nos municípios do Vale do Ivaí e acredita que o valor mensal consumido pelo Legislativo está muito alto. Aqui tem 15 mil habitantes e a Câmara gasta 21 mil. O salário de cada um dos nove vereadores de Jardim Alegre é de R$ 1,2 mil por mês.
Segundo Braga, o presidente da Câmara não tem moral para criticar a falta de repasse de recursos. Segundo ele, o filho do presidente da Câmara, Fábio Spadrizani, foi aprovado num concurso neste ano em que só houve um inscrito - ele próprio. Aqui foi o único lugar do Brasil onde só uma pessoa apareceu para se inscrever em concurso, ironizou. Segundo o prefeito, o rapaz ganha R$ 967,00 por mês.
O prefeito não soube dizer se a contratação ocorreu de acordo com a lei orgânica do município. Pode até ser legal, mas não é moral, criticou.
Fábio Spadrizani, 21 anos, confirmou ter sido o único inscrito no concurso, realizado em abril, apesar de reconhecer a dificuldade de se conseguir emprego no município. O pessoal não teve interesse, argumentou. Ele não tem no que pegar e está pegando no meu pé, reclamou. Fábio disse que o prefeito mantém o cunhado como chefe de gabinete. Que ganha até mais que eu, afirmou.





