Nem o prefeito Cassio Taniguchi e nem os sete servidores quiseram se pronunciar ontem sobre a denúncia. Cassio mandou sua assessoria de imprensa informar que ‘‘estranhava’’ o fato de a denúncia ser enviada ‘‘aos jornais antes de chegar à prefeitura’’. Até ontem, o TJ ainda não havia distribuído a denúncia a um de seus desembargadores. A assessoria informou que eles só poderão se pronunciar após receberem a notificação.
Às 18h15, a reportagem da Folha telefonou para a sede da Esteio, no bairro Prado Velho, em Curitiba, para ouvir os diretores Marlus Coelho e Carlos Avais da Rocha. O funcionário que atendeu o telefonema disse que ambos já haviam saído e que não havia ninguém naquele momento que pudesse falar em nome da empresa.
A assessoria de Cassio divulgou que a prefeitura entregou (ao Ministério Público) todos os documentos relativos ao Linhão do Emprego. A justificativa dos promotores para pedir o afastamento do prefeito do cargo é de que ele estaria prejudicando a apuração de denúncias.
Cassio não teria atendido aos pedidos do MP de envio de documentos – ou teria enviado parcialmente. Notificado duas vezes para prestar esclarecimentos, o prefeito até agora não teria se manifestado para marcar dia e hora de seu depoimento. De acordo com a denúncia, Cassio também teria desprezado duas notificações para apresentar servidores que deveriam ser ouvidos no processo. Em todas as ocasiões, o prefeito teria alegado falta de tempo.
O prefeito, sua mulher Marina e outras 10 pessoas, incluindo antigos e atuais secretários municipais, já respondem a outro processo por ferir a Lei de Licitações. O caso envolve a Cooperativa de Trabalhadores Autônomos de Curitiba (Cosmo), da qual Marina Taniguchi é uma das idealizadoras. Cassio e equipe são acusados de autorizar à cooperativa pagamentos sem licitação no valor de R$ 3,1 milhões, entre julho de 1997 até o ano passado.
A novela envolvendo a Cosmo chegou a causar constrangimentos para Cassio. No dia 17 de janeiro, o prefeito havia dito que o convênio não fora renovado. Dois dias depois, a Secretaria de Comunicação desmentiu Cassio. No dia 31 de janeiro, o procurador-geral do município de Curitiba, Luiz Carlos Caldas, anunciava que o convênio entre a prefeitura e a Cosmo havia sido suspenso, em obediência a uma decisão da Justiça do Trabalho. (Valmir Denardin e Dimitri do Valle)

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