Prefeito e ex-secretário de Uraí condenados por desvio de verba
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quinta-feira, 24 de julho de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O prefeito de Uraí ((26 km a oeste de Cornélio Procópio), Susumo Itimura (PSDB), foi condenado por ato de improbidade administrativa por desvio de verba pública destinada à realização dos Jogos Escolares, realizados no município em 2006. A decisão da juíza Kelly Sponholz Moleta, datada do dia 4, também inclui o ex-secretário municipal de Esportes Omar Mohama Zebian e determina o ressarcimento dos danos, estimados em R$ 44.080, além do pagamento de multa, suspensão dos direitos políticos e proibição de contratar com o poder público.
A ação civil pública, ajuizada pelo promotor José Roberto Manchini, sustenta que o numerário foi sacado ''na boca do caixa'', pelo então secretário, sem a comprovação das despesas. Manchini alega ainda que Zebian falsificou ''de próprio punho'' a assinatura de uma servidora pública e apresentou nota fiscal ''fria'' visando justificar o gasto do dinheiro. A verba para a realização dos Jogos Escolares foi repassada à prefeitura de Uraí pela Secretaria de Estado da Educação.
A promotoria alegou também que Zebian teria mandado uma funcionária da tesouraria ''deixar quieto'' ao ser alertado por ela de que o uso da verba estava em desacordo com a legislação. Durante a investigação, o ex-secretário foi afastado do cargo em atendimento à solicitação do Ministério Público (MP).
''Verifica-se que foram utilizados procedimentos escabrosos e inadmissíveis. Os requeridos agiram em crassa ilegalidade e imoralidade, e causaram prejuízo ao município'', alegou o promotor Manchini.
A juíza acatou os argumentos da denúncia e reconheceu a responsabilidade do prefeito por ter autorizado o saque bancário de ''vultosa quantia, cuja maior parte foi desviado, em total desacordo com a legislação e em total desamparo da boa fé''.
O prefeito e candidato à reeleição, Susumo Itimura, enviou uma nota oficial à FOLHA informando que ''não concorda com a respeitável decisão, pois, em momento algum ficou comprovado que tenha cometido ato contrário à lei''. O prefeito informou ainda que vai recorrer da sentença e que não há prejuízo para sua candidatura porque a decisão não é definitiva.
O ex-secretário reconheceu desvio de finalidade no uso da verba estadual, mas negou enriquecimento ilícito. ''O procedimento pode até ter sido ilegal, porque o plano de trabalho obrigava a gastar só com comida. Mas eu não ia superfaturar a comida para pagar o resto das despesas dos Jogos'', alegou. ''Eu optei pela moralidade ao invés da legalidade.''
Sobre a acusação de ter falsificado a assinatura da servidora, Zebian alegou que apenas escreveu o nome dela no documento, para depois colher sua assinatura.


