Prefeito é denunciado por improbidade administrativa
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Patrícia Zanin 
O prefeito de Jataizinho (21 km a leste de Londrina) Luiz Sato (PFL) está sendo acusado de improbidade administrativa pelo Ministério Público. Uma ação civil de responsabilidade foi proposta pelo promotor José Roberto Manchini e hoje deve sair uma liminar requerida pelo promotor para suspender as duas obras investigadas. Denúncias de fraude na licitação de uma creche e uma escola motivaram a apuração de denúncias contra o prefeito, a comissão de licitação do município e empresas de construção civil.
Manchini comprovou a nulidade do processo licitatório para as obras, de R$ 452,8 mil. A malandragem ficou provada, disse o promotor, que embasou a ação em 28 páginas que agora serão analisadas pela Justiça. A Câmara de Vereadores também instituiu uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar as irregularidades na construção de obras no município e pretende analisar dez convênios.
No apuração, o promotor confirmou irregularidades na escolha da empresa que iniciou as obras. Dois processos licitatórios foram feitos pela comissão. O primeiro, em agosto do ano passado, classificou a Prex Construções Civis, do ex-secretário de Obras do município Yukiwo Kubo. As outras três empresas entraram com recurso junto à comissão de licitação e a Prex foi desclassificada. Um mês depois, a comissão anulou a licitação e fez nova tomada de preços, voltando a classificar a Prex. Contrariada, a Obra-Prima Construções e Empreendimentos Ltda recorreu à Justiça e obteve liminar para paralisar a obra.
Na ação, o promotor Roberto Manchini descreve que em janeiro deste ano, a comissão de licitação se reuniu com os representantes legais da Obra-Prima e com Yukiwo Kubo e, simulando um inexistente julgamento das propostas das demais licitantes, declarou a primeira (Obra-Prima) vencedora em um dos certames. A empresa assinou ata se comprometendo a desistir do procedimento judicial em andamento. Embora tenha requisitado o arquivamento da ação no Fórum, a Promotoria prosseguiu a investigação.
Ontem, foi publicado um decreto assinado pelo prefeito suspendendo as obras, medida que já havia sido solicitada judicialmente pelo promotor. A providência foi tomada depois da intimação que ele (prefeito) recebeu. Significa uma espécie de confissão, que o prefeito reconheceu o ato errado, mas a suspensão da obra não retira o efeito da fraude, afirmou Manchini. Se a ação de improbidade for acatada pela Justiça, o prefeito pode ter os direitos políticos cassados.
O prefeito Luiz Sato foi procurado durante dois dias pela Folha - ontem e anteontem -, mas não retornou às ligações para se pronunciar sobre o assunto.


