O prefeito de Mariluz (35 km a sudoeste de Umuarama), o padre licenciado Adelino Gonçalves teria ido a Ariquemes (RO) para propor ao secretário municipal de Ação Social, Élcio Farias, que assumisse ser o mandante do duplo assassinato. A denúncia foi feita ontem, em entrevista por telefone à Rádio Goioerê, de Goiorê, pelo advogado de Farias, Osvaldo Rodrigues Moutinho. O prefeito teria viajado com o secretário da prefeitura Alexandro do Nascimento. Ambos se apresentaram em Curitiba, onde estão presos.
Gonçalves é acusado de ser o mandante do assassinato do vice-prefeito de Mariluz, Aires Domingues (PPS), e do presidente do PPS local, Carlos Alberto Carvalho, ocorrido no início do mês.
Segundo o advogado Moutinho, o prefeito e o secretário estiveram em Ariquemes na quinta-feira passada. Mesmo Farias tendo recusado a proposta, Gonçalves teria ficado de mandar dinheiro segunda-feira para ele. Na segunda-feira, Nascimento se apresentou à Polícia em Curitiba, inocentando o prefeito e acusando Farias de ser o mandante do crime. Gonçalves se entregou no dia seguinte.
Ainda de acordo com o advogado, Farias alega apenas ter levado, a pedido do prefeito, um Monza até Corumbataí do Sul, mas não sabia do que se tratava. O carro foi usado pelo ex-sargento da Polícia Militar, José Lucas Gomes, para matar os dois políticos e ficaria com ele como a parte do pagamento pelo ‘‘serviço’’. Preso, Gomes confessou o crime e acusou Gonçalves de ser o mandante. Agora mudou a versão e diz ter sido torturado pela Polícia.
Na entrevista, Moutinho prometeu apresentar seu cliente ainda esta semana à polícia. A Folha tentou ouvir o advogado, mas não conseguiu localizá-lo. O delegado-chefe da 7ª Subdvisão Policial de Umuarama, Marcolino Aparecido da Costa, já está investigando a informação.
O advogado do prefeito, Claudio Dalledoni Júnior, disse não ter conhecimento da acusação. Mas, segundo ele, a história contada por Moutinho comprova o envolvimento de Nascimento e de Farias e a inconencia do prefeito.
Em Mariluz, a prefeitura está funcionando precariamente, sendo administrada pela secretária Ivaneide Scusa. O presidente da Câmara, Benedito dos Santos (PPB), disse que não pode assumir enquanto o prefeito não for afastado oficialmente. A Câmara criou uma Comissão Processante contra Gonçalves.
Nascimento deve ser transferido hoje para Umuarama. Ontem, o delegado Marcolino viajou a Curitiba para buscar o preso. Ele não não obteve sucesso em duas tentativas: transferir o prefeito para Umuarama e interrogá-lo.
A lei garante foro privilegiado para detentores de mandato público. O prefeito, que está preso no Batalhão da Polícia de Guarda – unidade da PM, deverá permanecer em Curitiba e ser ouvido no Tribunal de Justiça (TJ). (Colaborou Valmir Denardin)

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