Revoltado com uma ação judicial de iniciativa da Câmara, requerendo o bloqueio de receitas do município, o prefeito de Marilândia do Sul (30 km de Apucarana), Osvaldo Augusto Zardo (PDT), foi anteontem à Câmara Municipal e protestou contra a decisão do Legislativo tirando a roupa e ficando praticamente nu diante de três vereadores.
A inusitada cena foi presenciada pelos vereadores Alfo Dias, José Alonso e Luiz Feliciano. Segundo eles, o prefeito invadiu a Câmara dizendo ‘‘vocês querem me ferrar, então me ferrem agora’’, e foi tirando a roupa.
Para José Alonso e Luiz Feliciano, a atitude do prefeito, que é médico, não condiz com decoro que requer a função que Zardo ocupa. ‘‘O comportamento do prefeito foi ridículo, perdendo a compostura e desrespeitando o Legislativo’’, comentou Feliciano.
Para o presidente da Câmara, Alinor Menossi (PFL), o prefeito teve uma atitutde desaquilibrada. ‘‘Não havia razão para que ele agisse desta forma, principalmente levando em consideração que sempre procuramos manter um relacionamento democrático e de diálogo’’, ponderou.
Segundo Menossi, a Câmara requereu um mandado de segurança porque o prefeito sempre repassou com atraso o ‘‘duodécimo’’ a que o Legislativo tem direito. ‘‘Estamos em final de mandato e precisamos fechar a contabilidade e acertar nossas contas atrasadas’’, justificou o presidente da Câmara, acrescentando que ‘‘é natural que procuremos defender os nossos direitos’’.
O mandado de segurança requerido poderá resultar no bloqueio de parte dos recursos provenientes do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que é repassado a cada quinze dias a todos municípios. De acordo com os vereadores, os repasses para a Câmara estão atrasados há dois meses.
Procurado ontem pela Folha, o prefeito Osvaldo Augusto Zardo contestou a versão dos vereadores. Ele disse que se sentiu ‘‘injuriado’’ com a medida jurídica e foi à Câmara para conversar com os vereadores.
‘‘Eu disse aos vereadores presentes que sempre mantive um relacionamento respeitoso com o Legislativo, e que eles estavam agindo de forma errada’’, afirmou Zardo, explicando que em seguida indagou aos vereadores sobre o que mais eles queriam, tirando apenas a sua camisa.
O prefeito argumentou que a Câmara têm direito a R$ 13.500 mensais, e que nos útimos meses tem repassado uma média de R$ 9 mil, suficiente, segundo ele, para cobrir os salários dos vereadores e dos funcionários da Casa.
‘‘Apesar de estarmos em fim de mandato, e das dificuldades financeiras que são comuns a todas prefeituras, estamos concluindo várias obras e mantendo a folha de pagamento de funcionários em dia’’, informou Zardo, reiterando que desejava ter a compreensão dos vereadores.

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