O vice-prefeito de Ariranha do Ivaí (115 km ao sul de Apucarana), Augusto Aparecido Cicatto (PMDB), confirmou ao Ministério Público denúncia de que o prefeito Sílvio Gabriel Petrassi (PMDB) comprou apoio do PFL durante as eleições municipais de 2004 por 48 prestações mensais de R$ 1.300 - total de R$ 62.400. A informação, que já estava sendo investigada por uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal, é o mais novo capítulo da conturbada disputa política local que inclui acusações de desvio de verba pública, ameaças, espancamento, sequestro e cárcere privado. Ariranha do Ivaí tem menos de 3 mil habitantes e se tornou município em 1996 ao se emancipar de Ivaiporã.
Segundo o vice-prefeito, a negociação com o PFL levou o partido a retirar sua pré-candidatura ao Executivo - favorecendo a vitória de Sílvio Petrassi. Em declaraçao formal ao MP, ele diz que o pagamento está sendo feito por meio de 48 notas promissórias descontadas mensalmente. O ex-vereador Carlos Bandiera de Matos (PPS), que perdeu as eleições para o atual prefeito, acrescenta que os valores repassados ao PFL são retirados do caixa do município. ''Sai todo mês do Departamento Financeiro da Prefeitura. Eu gravei uma conversa com o presidente do PFL em que ele confirma tudo. A fita já foi degravada e repassada para a promotoria pública.''
Convocado pela Câmara Municipal a prestar depoimento, inicialmente o vice-prefeito negou a denúncia. Na comunicação ao MP, porém, ele alega que temia pela integridade física de sua família. ''No entanto, melhor analisando e conversando com a família, chegamos à conclusão de que os fatos deveriam ser levados ao conhecimento da Justiça.''
O prefeito Sílvio Petrassi negou as declarações e disse que a denúncia é uma retaliação por ter demitido o vice-prefeito e sua esposa dos cargos que exerciam nos departamentos municipais de Agricultura e Ação Social. ''No caso da esposa, havia suspeitas de distribuição irregular de Bolsa Família. Já o vice-prefeito, achei que estava passando por cima da minha autoridade porque fazia solenidades sem a minha presença. Ambos foram exonerados e não vou ficar dando ouvidos para esse povo por causa dessas mentiras.''
A denúncia foi repassada à Procuradoria do Ministério Público, em Curitiba, já que o prefeito não pode ser investigado criminalmente em comarca de primeira instância.

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