O prefeito de Campina da Lagoa (100 km a sudoeste de Campo Mourão), Joaquim Antônio de Lima (PPS), está sendo acusado de ter beneficiado um irmão e o pai (já falecido) na compra de leite e de entregar o produto sem pasteurização nas creches e escolas do município. As acusações constam de uma ação civil pública proposta pelo promotor Willian Lira de Souza.
Além do prefeito, a ação envolve o irmão dele, Márcio José de Lima, e o espólio do pai José Fernandes de Lima. De acordo com o Ministério Público (MP), entre abril de 1997 e fevereiro de 1999, a prefeitura comprou 180 mil litros de leite. Desse total, 152 mil foram adquiridos junto à família do prefeito, sempre por R$ 0,40 o litro. Para o MP, esse valor estava superfaturado. No mesmo período, o valor máximo pago a outros produtores do município era de R$ 0,35 no inverno e de R$ 0,25 no verão, segundo a Promotoria.
Souza quer que os envolvidos devolvam os valores gastos com o leite – cerca de R$ 60 mil. ‘‘A compra foi feita sem licitação e o leite não era pasteurizado’’, ressalta.
A ação do MP, de 57 páginas, pede liminarmente a indisponibilidade dos bens do prefeito até o julgamento do mérito. Solicita ainda que a prefeitura não compre mais nenhum litro de leite sem licitação.
O prefeito também é acusado de improbidade administrativa, o que pode resultar em multas e inelegibilidade. Lima não foi localizado pela Folha. Na casa dele, a informação é de que estava em Curitiba.
O juiz da comarca de Campina da Lagoa, Sílvio Yamaguchi, concedeu recentemente liminar obrigando a prefeitura a pagar os salários de novembro e de dezembro, além do 13º, aos professores municipais. (S.S.)

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