Prefeito diz que pode ter havido erro O prefeito José Bisca disse ontem à Folha desconhecer as denúncias de uso indevido do dinheiro do Fundef. ‘‘Se houve algum deslize foi por falta de conhecimento, já que o Fundo é novo’’. Questionado se determinou algum procedimento interno para apurar as denúncias de seu ex-secretário de Educação, Paulo Valério, de que os recursos do Fundef estavam sendo destinados ao pagamento de outras contas, ele disse que o município está aplicando na educação ‘‘mais do que a lei exige’’. ‘‘Deve ter havido alguns erros de contabilidade’’, emendou. Ele falou com a reportagem duas vezes. A primeira, quando foi procurado e, em seguida, fez contato com a Folha. Ele disse ter consultado o atual secretário da Educação, Valdecir Alves, e que este lhe informou que não houve pagamento de outras despesas com a verba do Fundo. O prefeito disse que o Fundef está trazendo ‘‘grandes resultados’’. ‘‘Hoje (ontem) mesmo estamos inaugurando reforma de salas de aula, melhoramos o transporte, implantamos o Estatuto do Professor e ampliamos o número de alunos’’, discursou. Sobre a possibilidade de a CEI do Fundef pedir a intervenção do Estado nas contas do Fundo, ele disse que só haveria motivo para preocupação se houvesse ‘‘má intenção’’, o que, segundo o prefeito, não é o caso. Bisca atribuiu a existência da CEI do Fundef e da Comissão Processante à ‘‘politicagem’’ de seus adversários políticos. ‘‘Se eu ficar preocupado com comissão que tem um caráter de politicagem, eu não teria resultados positivos no meu trabalho. Confio na Justiça e sei que ela dará a resposta certa. Não tenho que me preocupar’’, afirmou. O prefeito acredita que as denúncias são ‘‘picuinha’’ para desviar a atenção da comunidade em relação à rejeição de um projeto que construiria 500 unidades habitacionais no município. ‘‘A oposição não tem como justificar esse débito com o povo’’, argumentou. Vereadores de oposição como Fortunato Graça Júnior (PTB) alegam que o terreno que Bisca pretendia doar à Cohapar, para construção das casas, não tem matrícula nem registro. Graça Júnior alega ainda que os secretários do prefeito, convocados para explicar o projeto, no ano passado, afirmaram desconhecê-lo, bem como a localização do terreno. Para o prefeito, se a oposição quer trabalhar, é ‘‘ótimo’’. ‘‘Que os vereadores vasculhem quanto quiser as minhas contas. Querem trabalhar, ótimo. Mas eu os desafio a instalar uma Comissão Especial de Inquérito para investigar o narcotráfico que ameaça nossos jovens’’, cobrou Bisca, que classificou o problema como grave no município. ‘‘Que eles querem esse porrete’’, pregou. (P.Z.)

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