Prefeito defende rompimento do contrato da merenda
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terça-feira, 10 de março de 2009
Fábio Cavazotti e Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
O agravamento das denúncias relativas à qualidade de alimentos servidos na merenda escolar de Londrina levou ontem o prefeito José Roque Neto (PTB) e alguns vereadores a defender o rompimento do contrato com a empresa SP Alimentação. A terceirização da merenda vem sendo alvo de denúncias desde o final de 2008 - quanto à má qualidade dos alimentos e uso de carne não prevista em contrato. Na semana passada, começaram as reclamações de falta de hortifrutigranjeiros nas refeições e, nesta terça-feira, foi constatada presença de maçãs podres entre os alimentos entregues à Escola Municipal Eugênia Brugin. As frutas seriam servidas após a refeição de frango com polenta.
O diretor Julio Cezar Gomes afirmou que 90% das maçãs entregues em quatro caixas ontem pela manhã, 90% estavam apodrecidas - algumas, inclusive, pretas. Ele disse que esta não foi a primeira vez que os alimentos destinados à merenda dos 840 alunos, com idade entre 6 e 12 anos, apresentaram problemas. No último dia 3 de março, as frutas foram insuficientes para os alunos do período vespertino; no dia 4 as frutas simplesmente não foram entregues; e no dia 6 faltou carne.
Já tinha formalizado um documento reclamando para a Prefeitura, mas hoje (ontem) cedo vi que as maçãs estavam todas podres e resolvi acionar o Conselho Municipal de Alimentação Escolar (CAE), disse Gomes.
À tarde, ao participar de solenidade sobre o Dia da Mulher na Câmara, o prefeito interino José Roque Neto (PTB) se disse favorável ao rompimento do contrato com a SP. Isso está horrível, agora toda semana tem isso. Estamos passando vergonha, afirmou. Agora, mais do que nunca, vamos tomar medidas mais severas inclusive para romper o contrato. Roque Neto afirmou que iria passar a solicitação ainda ontem à Procuradoria do Município.
No início da noite, a Câmara aprovou requerimento assinado pelos vereadores Rony Alves (PTB), Sandra Graça (PP), Tito Valle (PMDB) e Marcelo Belinati (PP) solicitando ao município a rescisão do contrato com a SP. Além disso, por iniciativa do vereador Joel Garcia (PDT), o legislativo convocou representantes da prefeitura para esclarecer as denúncias na sessão desta quinta-feira. A Comissão do Executivo que analisa as denúncias da merenda deve apresentar na sexta-feira ao prefeito um relatório parcial das irregularidades constatadas na merenda.
A SP Alimentação informou, por meio da assessoria de imprensa, que considera uma armação a denúncia das maçãs. Segundo a empresa, a direção da escola se recusou a receber as frutas na segunda-feira à tarde e elas apresentaram problema durante o armazenamento no caminhão até a entrega no dia seguinte. Além disso, a assessoria afirma que apenas 200 das 700 maçãs entregues estariam com problemas - o que daria para servir sobremesas sadias nas 240 merendas do período da manhã. Ainda segundo a empresa, as maçãs ruins seriam descartadas pelo processo de escolha das próprias merendeiras. Sobre a possibilidade de rompimento do contrato - de R$ 10,4 milhões por ano -, a assessoria considera que está havendo politização do tema.


