Prefeito decreta calamidade pública na saúde de Londrina
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segunda-feira, 06 de junho de 2011
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
No mesmo dia em que se tornou público o suposto envolvimento do prefeito Barbosa Neto (PDT) em crimes para desviar recursos da saúde, o chefe do Executivo decretou estado de calamidade pública na saúde em Londrina. O decreto, que terá vigência de 90 dias, permite que o município possa fazer contratações diretas - sem concurso ou teste seletivo - de funcionários para os serviços que eram executados pelos institutos Atlântico e Gálatas - organizações da sociedade civil de interesse público (Oscips) que são o centro das quadrilhas desbaratadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), por meio da operação Antissepsia.
A secretária de Saúde, Ana Olympia Dornellas, disse que como ''já não havia mais credibilidade na contratação de Oscips, devido a tudo o que aconteceu'', o município vai executar o serviço diretamente, primeiramente, contratando os funcionários já treinados que prestavam serviços ao Atlântico e Gálatas; nos próximos 90 dias, será encaminhado projeto à Câmara para criar vagas e abrir teste seletivo, que têm validade de um ano, prorrogável por mais de um ano; a última medida seria a abertura de concurso público para municipalizar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Programa Saúde da Família (PSF), o Serviço de Internação Domiciliar, Central de Regulação de Leitos e programa de DST/Aids.
Para atender aos programas, os institutos dispunham de 426 funcionários. ''Um número próximo a esse - mas, não maior - é o número de funcionários que contrataremos diretamente'', disse Ana Olympia, explicando que já houve remanejamento de funcionários concursados da prefeitura para atender aos programas, já que os contratados do Samu, por exemplo, deixaram os serviços oito dias antes do final do contrato, que expira amanhã.
Ana Olympia garantiu que a remoção de funcionários para os programas não prejudicará o atendimentos em outras áreas da saúde, como nas unidades básicas e postos de referência.
''É preciso se destacar que apesar do estado de calamidade, é a primeira vez que o município de Londrina rompe com as Oscips'', ressaltou o secretário de Governo, Marco Cito. A secretária também procurou ver o lado positivo da ''calamidade''. ''Quem abriu esse rombo não foi a gente. Isso vem de oito anos atrás.''
Corrupção
Ana Olympia absteve-se de comentar o possível envolvimento do prefeito nas fraudes apuradas pelo Gaeco. ''Não tenho conhecimento oficial sobre isso'', esquivou-se. No entanto, questionada sobre os danos da atuação das quadrilhas, ela disse que ''é claro que a corrupção atrapalha''. ''Mas as medidas judiciais estão sendo tomados para recuperar o dinheiro desviado.''
A contragosto, a secretária falou ainda sobre a participação da primeira-dama, Ana Laura Lino Barbosa. ''Eu recebia algumas visitas dela sempre com a preocupação de proteger politicamente o marido.''


