Prefeito de Uraí renuncia e evita cassação por CP
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
Almir Fernandes de Oliveira (PPS) renunciou ao cargo de prefeito de Uraí (Região Metropolitana de Londrina) na noite de anteontem, véspera da sessão extraordinária da Câmara de Vereadores que poderia cassar seu mandato. Ele já estava afastado desde o dia 22 de janeiro, por decisão do Legislativo, ao aceitar dois pedidos de Comissão Processante (CP). O vice Sérgio Pitão (PSC), que assumiu no dia seguinte provisoriamente, foi empossado na noite de ontem em definitivo.
A Câmara votaria ontem o relatório da CP que apurou as responsabilidades do ex-prefeito em relação aos vencimentos da ex-secretária de Educação Rosana Rodrigues da Silva Reghin. Ela recebeu, por cerca de um ano, os subsídios relativos ao cargo comissionado e os salários de professora da rede municipal.
Com a decisão, todas as CPs perdem seu objetivo (cassação ou não do prefeito) e foram encerradas.
Na carta de renúncia, Oliveira diz que encontrou na prefeitura uma estrutura que não conseguia responder à altura as demandas sociais, sendo "obrigado a ousar" para assegurar atendimento às pessoas mais carentes. "Infelizmente, muitos não souberam ou não quiseram compreender tais atos", escreveu.
Oliveira disse que decidiu renunciar porque não pretendia "governar a qualquer preço" e que quem mais perde com a situação política da cidade é a própria população. Ele, entretanto, negou que a renúncia signifique que ele assuma responsabilidade pelas infrações de que é acusado.
O advogado do ex-prefeito, Rogério Calazans, disse que a decisão foi tomada após o prefeito receber telefonema de um vereador de sua base relatando que, diante da pressão que vinha sofrendo, seria obrigado a votar pela cassação.
A CP cujo relatório seria votado ontem foi criada em 13 de novembro, junto com outra que investiga desvio de função no convênio entre a prefeitura e a Associação de Proteção à Maternidade e Infância (APMI), no valor de R$ 700 mil. Na época da aprovação, o contrato com a entidade já havia sido suspenso por determinação judicial.
No último dia 22, a Câmara voltou a aprovar mais duas CPs, para investigar denúncias de desrespeitos à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) por gastos com folha de pagamento acima do permitido e que o prefeito teria depositado dinheiro público na conta bancária de um ex-funcionário comissionado para ser sacado no dia seguinte. As duas representações pediam o afastamento do prefeito, o que foi acatado.


