Tapira - O prefeito de Tapira (93 quilômetros a nordeste de Umuarama), Wilson Luiz de Oliveira Lucena e o ex-presidente da Cohapar, Luiz Cláudio Romanelli, são acusados de desviar mais de R$ 50 mil de projetos de habitação no município. Segundo denúncia do Ministério Público do Paraná, a Cohapar utilizou verbas de dois convênios para pagar os salários de 20 funcionários fantasmas que teriam sido nomeados ilegalmente por Lucena a pedido de Romanelli. Os dois convênios para construção de casas populares foram firmados entre o município e a Cohapar em 1993 e 1994, durante o primeiro mandato de Lucena. O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) recebeu a denúncia do MP em agosto do ano passado. O processo tramita na 2 Câmara Criminal do TJ.
Das 20 pessoas nomeadas para cargos diversos na prefeitura de Tapira, apenas uma, Patrícia Pereira Neves, teria efetivamente prestado assessoria à prefeitura.
De acordo com o ex-procurador geral de Justiça, Munir Gazal e o promotor Vanderlei Carvalho da Silva, embora estivesse em nome da prefeitura, a conta corrente na agência Banestado em Tapira era movimentada pela Cohapar através de outra agência, em Curitiba. Os convênios foram cancelados antes do prazo final, quando vereadores começaram a questionar as nomeações. Lucena e Romanelli reconhecem que as contratações foram irregulares, mas negam que tenham sido utilizadas para desviar dinheiro.
Em sua defesa no processo, Romanelli alega que todos os contratados prestaram serviços ao Programa Casa da Família, da Cohapar. As contratações teriam sido feitas através de nomeações em cargos em comissão da prefeitura para não acarretar encargos trabalhistas e sociais já que se tratavam de empregos temporários. Lucena disse ontem à Folha que o esquema foi utilizado em vários municípios e que todos acabaram tendo problemas por causa disso.

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