O prefeito de Tamarana (62 km ao sul de Londrina), Paulo Nakaoka (PSDB), negou ontem ao Ministério Público (MP) as denúncias de irregularidades no município, feitas na semana passada pelo comerciante Wagner Nunes. Nakaoka prestou depoimento à promotora de Defesa do Patrimônio Público, Solange Vicentin. ‘‘Isso é inveja da nossa administração’’, justificou Nakaoka.
Conforme o depoimento de Nunes, que é proprietário da Farmácia Tamarana, o prefeito e o vice, Plínio de Araújo Júnior (PTB), estariam envolvidos em desvio de dinheiro dos cofres municipais. Um cheque no valor de R$ 13,6 mil, dado a Nunes como quitação da dívida da prefeitura com a farmácia, contraída na administração anterior, teria sido utilizado para o pagamento de um empréstimo pessoal do prefeito, de R$ 10 mil, feito com Cláudio Rodrigues Sales, concunhado de Araújo. Sales e o vice-prefeito, que seria o responsável pela negociação da dívida com Nunes, confirmaram a transação em depoimentos prestados ao Ministério Público.
Também foram anexados ao processo administrativo, cópia do cheque de R$ 13,6 mil da prefeitura, que teria o endosso, transferindo o pagamento a Sales por uma dívida de Nakaoka, e a cópia de um outro cheque, de R$ 5 mil, emitido pelo prefeito, que seria parte do pagamento dos juros do empréstimo.
No entanto, o prefeito, que é proprietário de uma oficina mecânica, nega que tenha contraído o empréstimo com Sales. ‘‘O Cláudio tinha feito serviços na (minha) oficina mecânica. Então foi feito pagamentos para a oficina, não empréstimo para o prefeito’’, afirmou.
De acordo com Nakaoka, como Sales usa os serviços da oficina rotineiramente, ele fez um pagamento antecipado de R$ 10 mil, que ia abatendo a cada novo serviço. O cheque de R$ 5 mil, segundo o prefeito, seria o crédito que Sales teria com a oficina e que não teria sido utilizado em serviço. ‘‘A cada 90 dias ele vem, desconta o serviço e ele leva um cheque de garantia’’, complementou o prefeito.
‘‘O Cláudio é concunhado do Plínio, e o Plínio que está me fazendo isso deve ter algum interesse por trás. O Wagner da farmácia, não sei que interesse ele tem’’, disse Nakaoka. O prefeito disse que deverá aguardar o resultado do processo administrativo para tomar alguma providência. A promotora não quis se manifestar sobre o caso.

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