Prefeito de Santo André é sequestrado em São Paulo
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domingo, 20 de janeiro de 2002
Agência Folha 
São Paulo O prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), foi sequestrado na sexta-feira, por volta das 23h30, no Sacomã, na zona sul de São Paulo. Até a madrugada de ontem, a família do prefeito não havia sido contatada.
Segundo a Polícia Civil, Daniel, 49, estava em uma Pajero blindada que era dirigida pelo empresário Sérgio Gomes da Silva, ex-assessor e amigo pessoal do prefeito. Os dois voltavam de um restaurante nos Jardins, na região central da capital, quando começaram a ser seguidos por três carros, de acordo com o relato que Silva fez ao delegado Adolpho Rebello, do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra). Havia pelo menos oito pessoas nos carros.
Na perseguição, os carros teriam batido contra a Pajero, cujo câmbio quebrou na fuga. Ela acabou sendo fechada na altura do número 393 da rua Antônio Bezerra. Houve disparos. Eles atingiram os pneus e três vidros do carro, sempre na altura de seus ocupantes.
Os criminosos desceram dos veículos, abriram a porta do passageiro e arrancaram Daniel da Pajero, deixando Silva para trás. Com o prefeito refém, eles fugiram em direção à via Anchieta, segundo testemunhas.
Daniel foi um dos 15 prefeitos petistas do Estado de São Paulo e senadores do partido que foram ameaçados de morte, por carta, em 13 de novembro do ano passado. Os ameaçadores se denominavam Farb (sigla sem significado conhecido). Nas cartas, o grupo reivindicava a autoria do assassinato de Antônio da Costa Santos (o Toninho do PT, ex-prefeito de Campinas).
O grupo diz ter sido fundado em 98 para acabar com políticos ligados à esquerda que estão se aproximando de partidos de centro-direita. Teria 50 membros.
Para o capitão Edson Sardano, secretário de Combate à Violência Urbana de Santo André, que classificou a ação de profissional, ainda é cedo para fazer ligações do desaparecimento do prefeito com as ameaças.


